A deputada do
PS-Madeira à Assembleia da República, Sofia Canha, alertou esta terça-feira, 8 de Julho, para a necessidade de
reforçar o quadro de recursos humanos da RTP-Madeira e de dotar o centro
Regional das condições necessárias para garantir a sua autonomia editorial e de
produção.

As preocupações foram
manifestadas na sequência de uma reunião mantida esta tarde com Fernando
Andrade, do conselho de redação da RTP e da direcção executiva do Sindicato dos
trabalhadores de Telecomunicações e Comunicação Audiovisual, e Clarisse Santos,
responsável do Sindicato dos Meios Audiovisuais.

Um encontro que
surgiu na sequência da passagem da continuidade da emissão da RTP-M para
Lisboa, situação que tem causado muita apreensão, com Sofia Canha, entretanto,
a ficar a saber que já foi retirada a licença do equipamento da continuidade e
que o mesmo será desmontado para ser transferido para o continente.

A deputada socialista
alertou para o subfinanciamento da estação em todos os serviços, o que, crê,
“corresponde a uma agenda do Governo da República que visa a privatização da
RTP”, levando a tutela a “tentar asfixiar a empresa, retirando-lhe capacidade financeira”.
Como adiantou, o Plano de Ação para a Comunicação Social prevê a retirada de
publicidade ao canal público até 2027, o que, para a RTP-M, constitui "um ato
grave que coloca em causa não só a sustentabilidade financeira, mas sobretudo o
direito de as empresas regionais publicitarem os seus produtos e serviços e o
direito dos consumidores e cidadãos estarem informados sobre os produtos
regionais".

Na reunião, Sofia
Canha foi posta a par da apreensão sentida e transmitida por muitos
trabalhadores da RTP-M, que não são consultados sobre as mudanças na empresa,
sobre o seu futuro, nem sobre a gestão de recursos humanos e das agendas. Como
referiu, o mesmo acontece em relação aos representantes sindicais, que não são
chamados a discutir e a negociar.

A externalização da
produção de programas foi outro assunto em discussão, com os sindicalistas a
anteverem a redução da capacidade de produção própria ao serem retirados
recursos humanos.

“O
PS não abdica de vir em defesa da RTP enquanto empresa pública, que presta um
serviço público inestimável, bem como da autonomia do Centro Regional da
Madeira”, assegura a deputada, repudiando qualquer tentativa de "diminuir a
capacidade de produção por via da redução irracional de recursos humanos e de
financiamento público".

A boa gestão da empresa não pode comprometer a sua
autonomia ou a falta de respeito pelos direitos dos trabalhadores e dos seus
representantes.
— Sofia Canha