Foi hoje inaugurada no Espaço do
Artesão, Campanário, a instalação artística “Objeto” que propõe uma reflexão
sobre o papel dos objetos na preservação do património cultural da Madeira, com
foco na lã como matéria-prima identitária e em risco. Através de peças têxteis
produzidas com lã local, a instalação aborda o ato de criar como forma de
resistência, assumindo a prática artesanal como manifestação ativa de
identidade e memória.
Esta instalação, refere nota enviada esta tarde, faz parte da
Semana da Cultura da Ribeira Brava e contou com a presença do vice-presidente
da Autarquia, Jorge Santos, da diretora do Museu etnográfico, Lídia Goes
Ferreira e de outras entidades.
Durante o período da exposição,
serão realizadas oficinas destinadas a públicos distintos, com sessões em
português e inglês. As datas e modalidades serão anunciadas ao longo do mês.
As peças em exibição foram
originalmente concebidas no âmbito da residência artística realizada no espaço,
de onde resultaram as peças que fizeram parte da exposição “Onde a lã vive”,
promovida em parceria com o Museu Etnográfico da Madeira, e que esteve patente
ao público de outubro de 2024 a abril de 2025. A sua apresentação no Espaço do
Artesão marca o regresso ao local onde foram criadas, encerrando um ciclo de
trabalho com a comunidade e de exploração do território.
A instalação incluirá ainda um
espaço participativo, onde os visitantes serão convidados a completar a frase
“Objeto…”, partilhando ideias e inquietações em torno do futuro coletivo.
O coletivo Enfia o Barrete,
composto por Irina Andrusko e Luz Ornelas, tem-se dedicado à valorização da lã
madeirense, desenvolvendo projetos de investigação, formação e criação
artística. A exposição conta também com a colaboração de Rafaela Rodrigues, autora
e ilustradora, cujos projetos exploram a cultura e identidade da ilha.
O Espaço do Artesão, situado no
centro da freguesia do Campanário, num edifício emblemático da Ribeira Brava,
que já foi escola primária e sede da Junta de Freguesia, é atualmente um núcleo
de dinamização cultural e artesanal, acolhendo iniciativas que promovem o
saber-fazer regional.
