A chefe da diplomacia da UE manifestou hoje apoio às reformas pró-europeias
do Montenegro, num encontro em Podgorica com o primeiro-ministro deste país,
durante o qual anunciou um novo pacote de ajuda financeira.

O Montenegro, uma pequena república de 600.000 habitantes, é
candidato à adesão à UE desde 2012 e é, até agora, o país dos Balcãs que fez
mais progressos.

Kaja Kallas sublinhou o empenho do Montenegro nas reformas, embora
tenha reconhecido ainda não existir consenso sobre o encerramento do capítulo
31, relativo à política externa e de segurança.

"É um processo complexo. No que se refere ao capítulo 31, não
existe consenso. Eu disse ao primeiro-ministro [Milojko Spajic] que o
desenvolvimento de boas relações com os países vizinhos ajuda no caminho
europeu", disse Kallas, sem nomear nenhum Estado, em conferência de
imprensa, no âmbito de uma digressão de três dias durante a qual visitará
também a Bósnia-Herzegovina e a Albânia.

Kallas anunciou que a UE vai dar ao Montenegro 26 milhões de euros
este mês, no âmbito do plano de apoio aos Balcãs, que inclui dois mil milhões
de euros em subvenções, quatro mil milhões de euros em empréstimos a quatro
anos e seis milhões de euros para reforçar a cooperação em matéria de defesa
através do Mecanismo Europeu de Apoio à Paz.

"Vivemos em tempos turbulentos e temos de reforçar a nossa
cooperação em matéria de segurança", afirmou.

Apesar de o governo de Spajic ter estabelecido o objetivo de
concluir a adesão à UE até 2028, Montenegro apenas encerrou alguns dos 33
capítulos ainda em aberto nas negociações de integração.

Kallas também manifestou preocupação com a situação de segurança
regional, referindo-se às leis de desvinculação aprovadas na Bósnia-Herzegovina
pela entidade pró-russa liderada por Milorad Dodik.

"Não podemos tolerar ataques à unidade. Os políticos devem
ultrapassar as divisões, não aprofundá-las", disse Kallas, que visita a
Bósnia-Herzegovina na terça-feira.