O primeiro-ministro apelou hoje a que possa existir "um pacto
de confiança no SNS", não sendo possível um acordo interpartidário para a
saúde, e defendeu que existiram melhorias neste setor durante o seu ano de
governação.
Luís Montenegro presidiu hoje à cerimónia comemorativa do Dia
Mundial da Saúde, que decorreu no Parque Saúde de Lisboa, e recorreu a uma
expressão usada na intervenção anterior por Alberto Caldas Afonso, presidente
da Comissão Nacional de Saúde da Mulher, Criança e Adolescente, e responsável
pelo Plano de Reorganização das Urgências de Obstetrícia e Pediatria.
"Não vou corroborar a expressão do professor Caldas Afonso de
que nós precisamos de um pacto político interpartidário, porque de facto ele
era desejável. Mas, não sendo esse o caminho, nós precisamos pelo menos de um
pacto de confiança no Serviço Nacional de Saúde (SNS), nos profissionais de
saúde, nas opções estruturantes do nosso sistema de saúde", disse.
Montenegro considerou que tal será essencial para, "no tempo
político que for decretado pela vontade do povo português" nas eleições
antecipadas de 18 de maio, dar melhores respostas aos portugueses nesta área.
"Eu estou convencido que nós temos alicerçado um conjunto de
bases que tornarão a melhoria dos cuidados de saúde uma realidade que vai
chegar a casa de todas as famílias portuguesas (...) Não acabarão os problemas
de saúde, mas a nossa responsabilidade é que eles sejam cada vez menos. E
quando ocorrerem, as respostas possam ser cada vez melhores", afirmou.
O primeiro-ministro defendeu, por exemplo, que a resposta ao
chamado "pico de Inverno" foi melhor em 2024 do que tinha sido em
2023 e que se registou uma diminuição dos tempos de espera para as consultas e
para as cirurgias.
Por outro lado, admitiu que há "problemas que são muito
difíceis de resolver", como o dos médicos de família -- que classificou
com "um problema apaixonante na política portuguesa" -, mas mesmo
nesta área enalteceu o que foi feito no ano da governação PSD/CDS-PP.
"Nos últimos 11 meses conseguimos dar médico de família a
mais 152.093 utentes mas, no mesmo período, inscreveram-se mais 208 mil utentes
no SNS. Portanto, os números que nós temos estão enviesados porque a nossa
capacidade de resposta foi relativamente elevada - não tanto quanto nós gostaríamos,
devo confessar -, mas a inclusão de novos utentes afetou, do ponto de vista dos
números, a perceção que se pode ter deste tema", disse.
Neste Dia Mundial da Saúde, o primeiro-ministro disse querer
prestar o seu "tributo inesgotável ao exercício das funções dos
profissionais de saúde", e sublinhou o esforço feito pelo executivo de
"valorização das carreiras dos profissionais de saúde e também das
condições físicas" em que as exercem.
"Todo o esforço que nós fizermos é muito pouco para aquilo
que os profissionais dão. Nós temos de fazer - sejam quem forem os governos -
ainda muito mais no futuro para poder corresponder também ao vosso
esforço", disse.
Luís Montenegro referiu que, no inverno de 2024, registaram-se
"menos problemas, menos utentes nas urgências, redução dos tempos de
espera nas urgências, menos mortalidade, menos bebés internados com problemas
respiratórios".
"Tivemos um nível de resposta melhor do que tinha existido há
um ano. E porquê? Porque conseguimos planear melhor, conseguimos organizar
melhor a capacidade de resposta e no próximo ano devemos superar o desempenho
deste ano", afirmou.
Para o primeiro-ministro, estes indicadores devem ser vistos
"com gratidão, com reconhecimento e com confiança": "Nós somos
capazes de fazer mais do que aquilo que já fizemos, mesmo que tenha sido
muito", resumiu.
Na sua intervenção, Montenegro reiterou que a saúde não deve ser
olhada com "dogmas ideológicos" e que o SNS, sendo "o esteio do
sistema", pode ser complementado, quando necessário, com soluções de parceria
com o setor social e privado.