Durante o mês
de Abril a Juventude Popular deu início a um conjunto de reuniões com diversas
associações de juventude, com o intuito de auscultar os principais desafios
enfrentados pelos jovens madeirenses, a fim de entender quais os desafios que
estes enfrentam nas mais diversas áreas.
A primeira
reunião, foi junto da AJMC (Associação de Jovens Madeirenses Conectados)
durante a qual foram abordados os pontos seguintes:
- estratégias
para incentivar a participação dos jovens madeirenses na política e na
sociedade civil; - programas de formação para liderança jovem; oportunidades de formação profissional e universitária para jovens madeirenses;
- desafios para o regresso dos jovens madeirenses que foram estudar para fora da região;
- promoção da cultura e tradições da Madeira nas camadas jovens;
- saúde mental e bem-estar dos jovens.
Segundo a
Juventude Popular da Madeira, foram identificadas uma série de razões para o
afastamento dos jovens da política, entre as quais, "a frequência excessiva de
eleições, o afastamento dos políticos em relação aos eleitores e a falta de
literacia política. Para combater este último ponto, foi sugerida a criação de
uma disciplina optativa que promova a literacia política e leccione as bases do
Estado de Direito e o funcionamento dos principais órgãos de soberania, a
importância do voto, conceitos políticos essenciais, a evolução política
nacional e regional, pois a democracia será tanto mais forte quanto mais a
participação dos cidadãos seja informada", refere nota enviada.
Ao nível da
formação de jovens líderes, entre outros factores, foi realçada a escassez de
associações juvenis como obstáculo ao desenvolvimento de competências de
liderança, assim como a falta da aposta de jovens em lugares de decisão. É
ainda importante destacar a necessidade de fomentar mais associativismo na
região, à semelhança do que acontece em Portugal Continental, que servirá para
providenciar novas experiências, adquirir soft-skill de liderança, organização,
trabalho em equipa, distribuição de tarefas, entre outros atributos essenciais,
em especial, no mundo do trabalho.
Relativamente
às oportunidades de formação na região, a JP Madeira considera que a oferta
formativa continua muito limitada, em parte, parte pelas limitações existentes
na atratividade de outros quadros docentes. Cumpre ao Ministério da Educação,
Governo Regional e a Universidade da Madeira, encontrar soluções para este
problema, bem como a falta de financiamento, sendo estes os principais entraves
à diversificação e modernização da oferta curricular para que esta esteja
adaptada aos novos desafios do mercado de trabalho e pronta a dar resposta às
necessidades da Madeira e dos madeirenses.
O regresso dos
jovens e/ou fixação dos mesmos na região, também foi tema de destaque e que
preocupa a JP Madeira. Foram identificadas como principais causas a falta de
oportunidades de trabalho e progressão nas carreiras, reflexo da baixa
competitividade e do fraco investimento na Região Autónoma da Madeira.
No que à
promoção da cultura e tradições diz respeito, foi consensual que a aposta do
Governo e Autarquias Locais deveria, também, recair sobre artistas regionais em
eventos públicos e permitir que a cultura seja moldada pelos avanços da
sociedade. Os jovens do CDS destacam ainda a necessidade de aproveitar
tradições que correm o risco de cair no esquecimento, transformando-as em atrações
turísticas.
Por último, mas
não menos importante, a saúde mental e bem-estar dos jovens foi abordada com
especial atenção. A JP Madeira defendeu a criação de uma base de dados médica
acessível tanto no público como no privado, a implementação de um “cheque
psicólogo” que permita o acesso a consultas sem diagnóstico prévio (para
reforçar a prevenção no campo da saúde mental, pois o atual modelo implementado
é limitado e não responde às reais necessidades dos nossos jovens), e a criação
de um gabinete de apoio para os jovens madeirenses, permitindo um
acompanhamento, nas mais diversas áreas, para aqueles que foram estudar ou
trabalhar para fora da região."

