O secretário-geral do PS disse hoje
ainda haver margem para evitar eleições se Luís Montenegro não avançar
para uma moção de confiança e estiver preocupado com a estabilidade política.
"Há margem para não haver eleições
e eu faço esse apelo ao primeiro-ministro: se está preocupado com a
estabilidade política no nosso país, não avance com a moção de confiança. Nós
garantimos, da nossa parte, que não aprovaremos moções de censura, por razões
de defesa da estabilidade", afirmou Pedro Nuno Santos.
O líder socialista, que falava aos
jornalistas à margem do jantar de apresentação da recandidatura de Vítor Hugo
Salgado à Câmara e Vizela, no distrito de Braga, referiu que, "se o
primeiro-ministro não está preocupado com o país, está preocupado em evitar uma
comissão parlamentar de inquérito", então há um problema e o país tem de
mudar de primeiro-ministro.
Pedro Nuno Santos disse ser importante
questionar sobre "quem é que começou esta crise e porque é que
começou".
"Se nós, no final destas duas
semanas, nos virarmos para o PS a pedir que se preocupe com a instabilidade do
país, é o mundo ao contrário", referiu, recordando que, "na
realidade, o PS foi sempre contribuinte da estabilidade política em Portugal,
desde o início" [da legislatura].
Para o secretário-geral socialista,
Portugal atravessa hoje "uma crise difícil em Portugal", mas
assinalou que o seu único responsável é Luís Montenegro.
"É o primeiro-ministro que decide
apresentar uma moção de confiança, já sabendo, de antemão, qual a intenção de
voto de todos os partidos. Luís Montenegro, quando decide apresentar uma moção
de confiança, na realidade, ele decidiu ir para eleições", observou.
Pedro Nuno Santos considerou não ser
correto estar a responsabilizar o PS pela situação, recordando que os
socialistas disseram sempre que queriam explicações, que queriam "a
clarificação do caso e não a instabilidade".
"Por isso, é que apresentámos a
intenção de avançar com a comissão parlamentar de inquérito, que é essencial
para nós apurarmos a verdade, do que realmente aconteceu", acrescentou.
Para o líder do PS, "não basta o
primeiro-ministro dizer que a empresa prestou serviços aos seus clientes,
quando, neste momento, a perceção que está instalada no país, é que os serviços
não foram prestados ou não foram prestados pelo valor que foi pago e isso é
gravíssimo".
"Não é aceitável que tenhamos tido
um primeiro-ministro avençado a receber de empresas, sem o correspondente
trabalho prestado a essas empresas", criticou.
Reafirmando estar nas mãos do Governo
não haver eleições, considerou que "o Governo está obviamente
desorientado, de cabeça perdida".
"Em vez de estar a atirar o país
para eleições, o que devia fazer era dar explicações ao país. Infelizmente,
Luís Montenegro, em vez de parar com as avenças, quer parar com o país, em vez
de dar explicações aos portugueses, prefere atirar o país para eleições e isso
não é aceitável", concluiu.
