O secretário de Estado das Comunidades
Portuguesas, José Cesário, admitiu hoje, em Maputo, existirem "problemas
complicados" de natureza salarial com professores portugueses no
estrangeiro, alertando não ter "soluções imediatas" face à
situação política em Portugal.

"Neste momento temos problemas
complicados, problemas de natureza salarial e de carreira com vários
professores que temos no exterior", disse o secretário de Estado das
Comunidades Portuguesas, José Cesário, que se encontra em visita oficial a
Maputo, em declarações à imprensa após reunião com a comunidade portuguesa em
Moçambique.

Em causa estão as ameaças de greve dos
professores do quadro da Escola Portuguesa de Moçambique (EPM) - tal como em
escolas portugueses noutros países -, que reclamam das disparidades
salariais e exigem iguais condições de trabalho com os profissionais em regime
de mobilidade, admitindo, em 03 de março, recorrer à greve para exigir os
mesmos direitos.

Os profissionais, entre outras, exigem
a regularização dos seus contratos, incluindo o registo e consequentes
descontos à segurança social.

Os professores da Escola Portuguesa de
Luanda que se encontram nestas condições fizeram greve e os colegas de Díli
realizaram um protesto em 29 de fevereiro, com as mesmas exigências.

"De Maputo, Timor-Leste, sei que
há alguns problemas em Luanda, portanto, temos estado a trabalhar em soluções,
não estamos a falar de um caso, são vários e estamos a tentar resolver estes
problemas", disse José Cesário, indicando que o Ministério da Educação
português acompanha o caso da Escola Portuguesa de Moçambique.

"Não escondo a ninguém que
neste momento a situação política não vai ajudar para termos soluções
imediatas, vamos ter que aguardar, mas estamos muito atentos ao caso dos
professores portugueses", acrescentou o secretário de Estado das
Comunidades Portuguesas, sublinhando que o Governo português está a
"tentar encontrar soluções".

No fim do encontro com a comunidade
portuguesa, José Cesário destacou a necessidade de o Governo
português estar próximo à sua comunidade no estrangeiro, sobretudo
"quando as coisas estão difíceis", referindo-se à situação política
de Moçambique.

"Tudo o que desejam é que Moçambique
tenha o máximo de desenvolvimento e que aqueles que têm negócios possam
naturalmente também ajudar, tenham condições para ajudar para que o
desenvolvimento seja cada vez maior (...) e que sirva o mais possível para
o povo moçambicano", afirmou o secretário de Estado das Comunidades
Portuguesas, lembrando "a irmandade" entre os dois países.

O Presidente da República de
Portugal admitiu quinta-feira eleições antecipadas em maio, no final de um
dia em que o primeiro-ministro anunciou uma moção de confiança que tem chumbo
prometido dos dois maiores partidos da oposição, PS e Chega, e que deverá ditar
a queda do Governo na próxima semana.

O voto de confiança foi avançado pelo
primeiro-ministro, Luís Montenegro, no arranque do debate da moção de censura
do PCP, que foi rejeitada com a abstenção do PS na Assembleia da República, e
em que voltou a garantir que "não foi avençado" nem violou dever de
exclusividade com a empresa que tinha com a família, a Spinumviva.

Se a moção for rejeitada na
quarta-feira no parlamento, Marcelo convocará de imediato os partidos ao
Palácio de Belém, "se possível para o dia seguinte, e o Conselho de Estado
"para dois dias depois", admitindo eleições entre 11 ou 18 de maio.