Sérgio
Gonçalves reuniu-se hoje com Sotiris Raptis, Secretário-Geral da European
Community Shipowners’ Association (ECSA), para abordar temas relativos ao sector
do transporte marítimo como a transição energética, digitalização e
modernização das infra-estruturas portuárias.

Durante o
encontro, a ECSA manifestou satisfação pelo reconhecimento do sector marítimo
como um dos cinco sectores prioritários no âmbito do Pacto Industrial Limpo da
Comissão Europeia. A associação defendeu a necessidade de mais investimentos
focados na produção, distribuição e adopção de combustíveis marítimos
sustentáveis para alcançar as metas de descarbonização do sector e salvaguardar
a competitividade do transporte marítimo europeu.

Na opinião do
Secretário-Geral da ESCA, os armadores estão disponíveis para fazer a transição
energética, mas encontram dificuldades, já que a legislação atual não obriga à
produção de combustíveis alternativos para o transporte marítimo, o que tem
atrasado a transição. Assim, defendem a criação de uma rede de abastecimento
para combustíveis limpos que estimularia a produção e distribuição desses
combustíveis, reduzindo os custos associados e acelerando a descarbonização do
sector.

Por sua vez,
Sérgio Gonçalves lamentou que o investimento estratégico na transição
energética não seja uniforme entre os Estados-Membros, e defendeu maior
harmonização na legislação europeia. O deputado deu o exemplo de Espanha, que
já apoia financeiramente os armadores que procuram investir em combustíveis
alternativos utilizando os fundos do mercado de emissões (ETS). O ETS pode já
ser utilizado pelos Estados-Membros para financiar a transição das suas
empresas, sem que isso seja contabilizado no procedimento de défices excessivos
a que estão sujeitos, nem considerado como auxílio de Estado.

A indústria
marítima europeia é crucial para o comércio global, detendo 35% da frota
mundial e transportando 76% das exportações europeias. Apesar de continuar a
crescer, enfrenta pressão constante, especialmente do sector chinês que cresce a
uma velocidade superior. Para Sérgio Gonçalves, “a competitividade do sector
dependerá muito da capacidade da União Europeia e dos seus membros em apoiar a
transição baseada em inovação, criando um ambiente favorável a nível
regulatório e fiscal, garantindo ao mesmo tempo que os armadores possam operar
em condições justas face à concorrência global”.

A ECSA,
fundada em 1965, representa 22 associações nacionais de armadores da União
Europeia e da Noruega, incluindo a Associação de Armadores da Marinha de
Comércio de Portugal. A sua missão centra-se na promoção de um ambiente
regulatório favorável à competitividade internacional do setor marítimo
europeu.