É já amanhã, às 09h30, no auditório do Colégio dos Jesuítas,
que a Rede Europeia Anti-Pobreza (EAPN na sigla inglesa) e a Secretaria
Regional de Inclusão, Trabalho e Juventude vão apresentar o estudo de
caracterização da pobreza na Região Autónoma da Madeira. Pouco se sabe sobre o
documento, mas uma nota que a EAPN emitiu esta noite avança que, ao longo de “21
meses de trabalho intenso” foram inquiridas 400 pessoas beneficiárias de
diferentes apoios sociais, a que se seguiram “66 entrevistas qualitativas”.

O estudo começou com um diagnóstico inicial com dados
estatísticos e qualitativos, com a participação e elementos de um fórum de discussão.
Foi traçado um mapa das vulnerabilidades e analisadas estratégias, planos e
medidas políticas que concorrem para o combate à pobreza.

“O nosso objectivo era ter um estudo no qual as organizações
públicas e privadas com responsabilidade directa ou indirecta no combate à
pobreza pudessem participar, contribuindo com o seus dados e os seus
conhecimentos, enriquecendo a leitura dos dados e co-construindo recomendações
e linhas de orientação para o combate à pobreza. Não pretendíamos apenas o
conhecimento que advém da investigação”, explicou o vice-presidente da EAPN
Portugal, o padre Agostinho Jardim Moreira. “Foram 21 meses de trabalho intenso para
que este ambicioso estudo pudesse aplicar os instrumentos de investigação
previstos e devolver à sociedade e aos parceiros da RAM um melhor conhecimento
sobre a pobreza neste território”, refere.

O vice-presidente explica, ainda que, “os dados estatísticos
não permitem traçar perfis de pobreza, e o território da RAM traz-nos, pela sua
insularidade, maior especificidade”. “Tal como sempre defendemos, a intervenção
no combate à pobreza tem de estar baseada num conhecimento sobre o fenómeno e,
como tal, o financiamento da Secretaria Regional de Inclusão, Trabalho e
Juventude, através do Instituto de Segurança Social da RAM, foi um importante
investimento que deve ser utilizado para reforçar o combate à pobreza neste
território”, conclui Agostinho Jardim Moreira.