O presidente reeleito do Governo Regional da Madeira, Miguel Albuquerque, afirmou esta noite, em entrevista à SIC Notícias, que tem a convicção de que não será condenado no processo de corrupção em que é arguido, sublinhando que se tratou de uma denúncia anónima.

A minha convicção é que não existe nesse denúncia nenhum fundamento para existir uma condenação
— Miguel Albuquerque

"Ao longo de 30 anos de vida pública nunca fui corrompido", declarou Miguel Albuquerque, ressalvando que "a condição de arguido obriga a sermos ouvidos, a consultar o processo e, inclusivamente, antes da fase do processo, há uma fase de instrução para se oporem às razões, no sentido de haver um posterior esclarecimento".

"Até lá a minha convicção é que eu não vou ser condenado por nada", vincou o governante, que venceu ontem as Eleições Legislativas Regionais antecipadas.

O líder do Governo Regional considerou ainda, a propósito que "as denúncias anónimas estão a matar a democracia", acusando os "partidos populistas e extremistas" de utilizar as denúncias anónimas para visar os titulares de quadros públicos e, desse modo, "causar desestabilização política".

A pior coisa que pode acontecer é a suspeição. E este instrumento, no fundo, de fazer política, é através das denúncias anónimas. Por um lado, levam a uma retirada dos bons quadros da vida pública, porque ninguém está sujeito a ser enxovalhado na praça pública, as pessoas têm família, têm a sua credibilidade. E, por outro lado, leva a que haja uma situação de incerteza de desestabilização, que leva à queda de governos, leva a que a agenda política não seja concentrada naquilo que é essencial para o futuro e seja circunscrita e a estas questões de lana-caprina, que não interessam a ninguém
— Miguel Albuquerque

Ainda sobre o impacto das denúncias anónimas na vida dos titulares de cargos públicos, Albuquerque evidenciou que "quando [os processos] são resolvidas ninguém lhe agradece". "Só no dia em que morrem, depois dizem que as pessoas eram óptimas", atirou.

Questionado pela jornalista sobre se se demitiria caso fosse formalmente acusado, o presidente do Governo da Madeira respondeu que "depende da configuração da acusação". "Já vi acusações judiciais perfeitamente descabidas. Depende, dos casos concretos. Eu não faço ideia nenhuma do que é que está lá no processo, que ainda não consultei", sustentou, referindo adiante que "só por equívoco" é que poderia ser condenado.

Eu sei quem sou. Sei aquilo que durante toda a minha vida pública, nos casos que desempenhei, sei quais foram as minhas condutas
— Miguel Albuquerque