O representante da República para a Madeira pediu,
hoje, aos deputados da Comissão de Agricultura e Pescas, que “reforcem
as competências das Regiões Autónomas em matéria de gestão das zonas marítimas,
apontando no sentido de uma gestão conjunta e partilhada”.
O apelo foi lançado por Ireneu Cabral Barreto,
durante recepção dos deputados da Comissão Parlamentar, no Palácio de São Lourenço.
“Não posso deixar de frisar que se mostra cada
vez mais necessário proceder, na lei, à clarificação das competências das
Regiões Autónomas sobre a gestão do domínio público marítimo. Sem colocar em causa
a integridade e a soberania do Estado, mas também sem ceder a tentações de
centralismo”, sublinhou o representante da República.
Em causa estão as alterações à Lei de Bases da
Política de Ordenamento e de Gestão do Espaço Marítimo Nacional, que tinham
sido promulgadas a 11 de Janeiro de 2021 e que o Tribunal Constitucional declarou
inconstitucional, em 2022.
A lei nº 1/2021, de 11 de Janeiro, “vinha
atribuir às Regiões Autónomas o poder de emissão de um parecer vinculativo nas
matérias respeitantes ‘[ao]s instrumentos de ordenamento do espaço marítimo
nacional que respeitem à plataforma continental para além das 200 milhas
marítimas’, sem prejuízo das ‘matérias relativas à integridade e
soberania do Estado’”, evidenciou Ireneu Barreto, acrescentando que “face
à versão original da lei – que previa uma mera auscultação das Regiões – esta
alteração marcaria um avanço nas competências regionais”.
“Permito-me,
por isso, apelar para que, com respeito pela Constituição, reforcem as
competências das Regiões Autónomas em matéria de gestão das zonas marítimas,
apontando no sentido de uma gestão conjunta e partilhada”, reiterou o
representante da República perante os deputados da Comissão Parlamentar de
Agricultura e Pescas.
Recordando a aprovação
(respectivamente
em 2021 e em 2022) dos regimes jurídicos da Reserva Natural das Ilhas Desertas
e da Reserva Natural das Ilhas Selvagens, “ uma das maiores áreas protegidas do
Mundo” e “a maior do Atlântico Norte”, Ireneu Barreto disse ainda que “seria
bom que quaisquer actos avulsos não venham constituir retrocessos nos níveis de
protecção já alcançados”.
Acordo com MERCOSUL pode criar “constrangimentos”
à comercialização da banana da Madeira, avisa Ireneu
No que toca ao sector da agricultura, Ireneu Barreto
alertou para os principais desafios que condicionam o futuro desta actividade na
Região, “como conseguir criar empresas e empregos estáveis, com rendimentos
dignos para quem trabalha, numa actividade em alguns aspectos modelar”.
A este propósito manifestou o seu receio relativamente
ao acordo entre a União Europeia e o Mercado
Comum da América do Sul (MERCOSUL), dizendo esperar que o mesmo “não venha
criar ainda maiores constrangimentos, a acrescer à dificuldade de transporte e
à reduzida escala de produção, para a comercialização da banana da Madeira”.
“Sem querer apelar a
quaisquer medidas e remédios protecionistas, parece-me que a nossa principal
cultura agrícola, que tem uma importância económica, social e cultural
relevantíssima nesta Região, e que contribui ainda para a beleza do verde da
nossa paisagem, terá de ser defendida, no contexto da desejável abertura do
comércio internacional de produtos agrícolas”, vincou.
