O venezuelano lusodescendente Manuel Teixeira, dirigente do
partido da oposição Un Nuevo Tiempo (UNT, centro-esquerda) apelou hoje para que
os partidos da oposição na Venezuela participem nas eleições regionais e
legislativas de 25 de maio.

"A alternativa democrática da Venezuela deve defender nas
urnas a maioria que construiu com esforço nos últimos anos", disse Manuel
Teixeira durante uma entrevista ao programa A Tiempo do canal privado de
televisão IVC.

O apelo do lusodescendente surge numa altura em que vários
partidos políticos e líderes da oposição têm apelado para que a oposição não
participe nas eleições, porque o Conselho Nacional Eleitoral ainda não divulgou
as atas das eleições presidenciais de 28 de julho de 2024, que deram a vitória
a Nicolás Maduro, mas cujos resultados a oposição contesta

"Temos de participar e somos obrigados a participar,
especialmente quando dizemos que somos maioria. Quem está a ganhar não sai do
ringue. Ninguém está a passar a página como alguns dizem, pelo contrário, temos
de escrever mais páginas", disse o dirigente do UNT.

Manuel Teixeira insistiu que "participar não significa virar
a página, mas sim lutar pelas vias políticas que estão estabelecidas na
Constituição.

"No UNT somos fervorosos defensores do voto como instrumento
de luta", sublinhou, considerando que a recente decisão do Conselho
Nacional Eleitoral (CNE) de adiar a data das eleições, de 27 de abril para 25
de maio, "dará mais tempo às forças democráticas para se organizarem
melhor e para convencer de votar quem ainda considera uma boa ideia se
abster".

Manuel Teixeira sublinhou ainda que é importante que a oposição
tenha representantes eleitos no próximo parlamento da Venezuela, organismo que
tem competência para nomear outros poderes vitais para o desenvolvimento da
vida democrática do país.

"A Assembleia Nacional nomeia o Supremo Tribunal de Justiça e
o CNE, é que juramenta (o Presidente) o mandato constitucional. Para além
disso, há uma clara convocatória para uma reforma constitucional. É por isso
que temos de votar, a nossa luta é para defender a democracia e o voto tal como
o conhecemos", disse.

Em 19 de fevereiro o Concelho Nacional Eleitoral da Venezuela
(CNE) adiou de 27 de abril para 25 de maio de 2025, a data das próximas eleições
regionais e para a Assembleia Nacional (AN, parlamento).

Segundo o presidente do CNE, Elvis Amoroso, a reprogramação da
data foi feita "a pedido de diferentes atores da vida democrática do país
que decidiram participar plena e ativamente no processo eleitoral".

Segundo o CNE todos os partidos e candidatos que participam nas
eleições previstas para este ano devem assinar um documento em que se
comprometem a respeitar e acatar os "resultados emitidos pelo Conselho
Nacional Eleitoral como poder constitucional da República", sem assegurar
se serão comprovados com uma publicação detalhada dos resultados ou com as
atas.

A líder da oposição, María Corina Machado, anunciou, dois dias
depois, que até que o resultado das eleições presidenciais, em que insiste que
o vencedor foi Edmundo González Urrutia, "entre em vigor", não é
apropriado participar em "eleições de qualquer tipo".

Maduro foi empossado a 10 de janeiro no parlamento como Presidente
da Venezuela para um terceiro mandato (2025-2031).