O PAN considera imperativo que exista mais formação para a prevenção e combate à violência de género, uma vez que a prevenção primária deve ser uma prioridade. O partido esteve, ontem, reunido com a União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR) para conhecer o trabalho desenvolvido pela organização e visitar a sua sede.

Segundo nota à imprensa, este encontro serviu ainda para analisar as dificuldades enfrentadas pelas ONGs e a urgente necessidade de reforço dos apoios. O PAN reconhece o trabalho desenvolvido por esta instituição, nomeadamente no que diz respeito à formação, sensibilização e investigação sobre a violência de género, nomeadamente através do projeto ART'THEMIS+ Madeira e de vários estudos e diagnósticos sociais elaborados.

"Conhecer a realidade em profundidade é fundamental para intervir de forma eficaz e implementar políticas ajustadas às necessidades concretas da população", indica o partido. No entanto, reconhece que "as ONGs acabam por ser afectadas pela falta de investimento na prevenção, estando limitadas a apoios anuais ou bienais sem expectativas de continuidade e que são influenciados muitas vezes pelas mudanças políticas".

"É fundamental delinearmos uma estratégia global que garanta uma maior estabilidade às ONG permitindo ter recursos humanos a tempo integral e dando garantias para a continuidade dos projectos apresentados.", defende o PAN.

Nesta reunião falou-se ainda sobre a necessidade da prevenção quaternária garantir acompanhamento adequado às vítimas após processos de violência doméstica, evitando a reincidência e apostando no empoderamento e capacitação das mesmas.

"Actualmente a resposta na Região é fragmentada e insuficiente face aos números alarmantes de casos de violência de género, que não passam apenas pela violência doméstica, mas pelo assédio sexual, laboral e casos de violação", considera o partido cuja candidatura às eleições regionais de 23 de Março é liderada por Mónica Freitas.

A formação dos profissionais que lidam com estas situações é crucial assim como garantir o máximo conforto, segurança e privacidade das pessoas que denunciam estes casos. É urgente garantir que inspetores da PJ, juízes, docentes e serviços especializados recebam capacitação adequada, especialmente através de entidades com experiência na área e que haja uma maior fiscalização e responsabilização em casos de negligência ou tratamento desadequado por parte destas entidades para com as vítimas.
— Mónica Freitas

Por fim, Mónica Freitas quis abordar os casos de violência obstétrica, "um tema ainda tabu que necessita de maior aprofundamento na Região". Em 2022, o partido denunciou vários casos, uma situação para a qual a tutela foi novamente alertada nos dois anos seguintes. No fundo, o que se pretende é "garantir o acompanhamento das grávidas por uma pessoa à sua escolha sem limitação de horários, o consentimento informado sobre todos os procedimentos a ser tomados, garantir que a grávida é envolvida e ouvida no processo de decisão sobre o parto e eventuais constrangimentos que ocorram durante o mesmo", uma vez que "são fundamentais para garantir a dignidade e bem-estar das mulheres".