O deputado Francisco
Gomes, eleito pelo Chega para a Assembleia da República, acusou o governo da
República de tratar os pescadores portugueses “aos pontapés”. As críticas foram realizadas numa audição à gestora do programa 'Mar 2030', Dina Ferreira, que decorreu na Comissão de Acompanhamento à Execução do PRR, onde o parlamentar madeirense tem assento efectivo.
Gomes afirmou que, no seu entender, o programa revela "desprezo total pelos
homens e mulheres que dependem do mar" e acusou o governo de Luís Montenegro de
estar “a rebentar com o sector das pescas e a empurrar famílias para o
desemprego”. Criticou, também, as prioridades do ‘Mar 2030’, que, segundo o
deputado, acredita que os pescadores são “invisíveis”.
O parlamentar
destacou a exclusão das comunidades piscatórias dos apoios previstos e
denunciou que o programa prevê como prioridade a cessação definitiva das
actividades de pesca. "Isto não é só revoltante, mas também uma
vergonha!", afirmou, sublinhando que não há futuro para o mar sem
pescadores.
"Rebentar com
as pescas e jogar para o lixo as pessoas que vivem do mar – é isto que o vosso
governo faz! É uma afronta a quem veste a farda da coragem, passa semanas em
barcos sem condições e leva Portugal ao mar há centenas de anos", acusou Francisco Gomes, em nota enviada esta tarde à comunicação social.
Denunciou igualmente as reduções no orçamento das pescas nos últimos anos, acusando
o governo de “riscar quase metade” do financiamento destinado ao sector. O
deputado apontou que o orçamento caiu de 137 milhões de euros, em 2023, para 73
milhões, em 2025, num corte que classificou como “criminoso”, “desumano” e “o
maior de sempre”.
"Enquanto usam
fundos do programa para promover a secretária das Pescas em programas de
televisão, os pescadores vendem os barcos para sobreviver. Isto não é gestão.
Isto é a matança lenta de uma das profissões mais nobres deste país"
Na parte final da
intervenção, Francisco Gomes desafiou Dina Ferreira a responder se a secretária
de Estado das Pescas tem condições para continuar no cargo, pedindo a sua
demissão. O deputado também concluiu com um apelo em defesa das comunidades
piscatórias, afirmando que o Chega "não se calará perante a destruição do sector".
"Se querem
acabar com os pescadores, assumam de vez! Seria mais digno do que o que estão a
fazer, que é matar estas pessoas aos poucos. Mas, enquanto nós aqui estivermos,
não nos rendemos e não nos calamos", rematou.
