A greve no Centro de Abate da Madeira arrancou esta manhã com oito trabalhadores da primeira linha da sala de abate a apresentar baixa médica, situação que condicionou a operação e apanhou o Governo Regional “de surpresa”, numa altura particularmente sensível para o sector, às portas da quadra natalícia e quando havia um acordo de empresa vigente, salientou esta manhã o secreto da tutela.

O secretário regional da Agricultura e Pescas, Nuno Maciel, garante que estavam assegurados os serviços mínimos, mas admite preocupação caso novas autobaixas surjam nos próximos dias. “Hoje fomos surpreendidos com o adoecimento de [oito] trabalhadores da primeira linha”, disse admitindo se estas baixas continuarem, poderá haver constrangimentos.

Segundo o governante, o Executivo activou um plano preventivo para salvaguardar a distribuição, sobretudo junto dos pequenos produtores, e já estabeleceu contactos com fornecedores externos que garantem capacidade para evitar rupturas no mercado. Ainda assim, reconhece que a produção regional pode ser penalizada nesta fase de maior procura.

Tudo isto acontece porque o Sindicato dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais do Sul e Regiões Autónomas realizou uma conferência de imprensa, marcando formalmente o início da greve que decorre entre 2 e 23 de Dezembro.

Os sindicalistas justificam a paralisação com a rejeição da contraproposta apresentada pela Administração da empresa CARAM, que consideram “desrespeitosa, sem impacto real nas condições laborais e incapaz de responder às reivindicações dos trabalhadores”.

O sindicato acrescenta que a proposta “não só não contempla aquilo que os trabalhadores solicitaram, como demonstra falta de consideração por quem assegura o funcionamento diário do Centro de Abate”, afirmando ainda que Administração e Governo “teriam ficado melhor sem apresentar uma contraproposta”, que classificam como “uma brincadeira de mau gosto” e “incapaz de convencer a opinião pública”.

Nuno Maciel sublinha que o Governo Regional “está de consciência tranquila”, recordando que há um ano e meio foi assinado um acordo de empresa com vigência de três anos, no qual “todas as reivindicações então apresentadas foram acomodadas”, desde a redução das 35 horas até ao alinhamento de regalias com a administração pública.

Apesar de não ter obrigação de negociar antes de 2027, o Governo abriu a porta para rever o subsídio de risco, propondo eliminar o baixo risco, subir todos os trabalhadores para o nível médio e aumentar o subsídio do nível médio para elevado. “Isto representaria um esforço anual entre 12 e 15 mil euros, a favor dos trabalhadores”, destacou.

Maciel garante que alguns trabalhadores se mostraram receptivos à proposta, mas o sindicato rejeitou-a e avançou para a greve interpondo uma providência cautelar.

Enquanto a greve decorre e a situação clínica dos trabalhadores evolui, o Governo monitoriza diariamente o funcionamento da linha de abate. A distribuição ao consumidor final deverá manter-se regular, mas o impacto na produção regional poderá sentir-se se a paralisação se prolongar e as autobaixas persistirem.

Palavras a margem da apresentação de um novo vinho, Terrabona Nature & Vineyards bem como a segunda fase do projecto turístico, que mereceu a presença do presidente do Governo Regional.