A economia de mercado é uma máquina extraordinária: coordena com a máxima eficiência possível milhões de decisões individuais sem precisar de uma única pessoa a comandar tudo. Contudo, surgem periodicamente iluminados que acreditam que podem “melhorar” o processo substituindo o risco privado e o mecanismo de preços por ordens administrativas. A nova regulamentação das rent-a-car na RAM é disso um excelente exemplo.

O governo da RAM decidiu que sabe melhor do que o mercado como deve funcionar este negócio. Definiu mínimos de frota, máximos de idade, quotas de veículos elétricos e até o tamanho do parque privado em função da dimensão da frota. A pergunta impõe-se: quem sabe onde se deve “traçar a linha”? Alguém acredita que o legislador domina, no conforto do gabinete, toda a informação dinâmica que guia milhões de decisões económicas a cada instante? Que conhece a procura futura, o custo de capital de cada empresa, a sua capacidade de gestão e a preferência do turista? Hayek chamou a isto a pretensão do conhecimento. Os antigos gregos húbris. A História chama-lhe arrogância.