O PS-Madeira vai abster-se na votação na
generalidade do Orçamento Regional para 2026 e fará depender a sua posição na
votação final global da recetividade que o PSD mostrar em relação às propostas
de alteração que o partido irá apresentar.

A decisão foi comunicada esta sexta-feira, 12 de Dezembro, pelo presidente
do PS-M, na sequência da reunião da Comissão Política do partido, ocorrida esta
tarde. Na ocasião, Paulo Cafôfo considerou que a proposta de Orçamento
Regional, que será debatida na próxima semana no Parlamento, representa um
recuo, já que, além de ser menor do que o Orçamento deste ano, corta em áreas
que deveriam ser prioritárias, como a Saúde e a Habitação. “Trata-se de um
orçamento de recuo, com menos dinheiro, menos saúde e menos habitação, mas também
de recuo na palavra dada”, afirmou.

Referindo-se ao corte de 50 milhões de euros para
o Serviço Regional de Saúde e de 60 milhões para a Habitação, o líder
socialista acusou o Executivo de quebrar a palavra dada aos madeirenses, já
que, tanto na campanha eleitoral, como no Programa de Governo, assumia estas
duas áreas como prioritárias. Trata-se, como vincou, de “um Governo que
desistiu dos madeirenses e que lhes vira as costas em áreas que estes tanto
precisam”.

Paulo Cafôfo realçou que este não é o Orçamento do
PS, mas acrescentou que, neste momento político e face às necessidades das
pessoas, o partido tem uma perspectiva construtiva e responsável, pelo que
considera necessário corrigir "as falhas" do documento.

Nesse sentido, adiantou que o PS irá abster-se na
votação na generalidade, apresentando propostas de alteração "muito importantes" nas áreas da saúde, da habitação, da educação, dos impostos e dos rendimentos
das pessoas, “esperando pelo acolhimento por parte do PSD para então tomar uma
decisão em relação à votação final global”.

“Veremos qual é a receptividade do PSD. Se quer, efetivamente, melhorar o
documento, temos essa disponibilidade e abertura democrática”, adiantou,
deixando claro que “veremos, do outro lado, se continuam a encarar isto como
uma maioria absolutista e não reconhecem o contributo de outros partidos,
particularmente do PS, que encara a política não como uma oposição pura e dura,
mas uma oposição construtiva, que contribui para a melhoria da vida das
pessoas”.