A TAP desistiu e, afinal, já não vai aplicar a tão polémica taxa das viagens aéreas na época de Natal e de fim-de-ano, entre a Madeira e Portugal Continental.
A decisão inicial da transportadora aérea estava a ser muito contestada, pois iria agravar ainda mais os elevados custos das viagens aéreas entre as duas regiões, o que também iria ter forte impacto em muitos estudantes madeirenses, que corriam o risco de passar o Natal longe casa.
A decisão da TAP aconteceu no seguimento da intervenção do Governo
Regional, que, prontamente, protestou contra a decisão comercial tomada sem
qualquer aviso prévio ainda mais numa altura muito procurada por estudantes que
pretendem regressar à Região para as férias de Natal e também por outros
visitantes. Depois dos variados contactos e diligências efectuados pela
Secretaria Regional junto da companhia, hoje, Eduardo Jesus recebeu a
informação, da parte do CEO da TAP, que haveria recuo na aplicação da taxa.
O
Secretário assume ter ficado satisfeito, sublinhando que o desfecho "é
exactamente o que se pretendia", sublinhou.
"Ficamos muito agradados que o desfecho desta
situação seja exactamente este. Primeiro, porque não encontrávamos nenhuma
necessidade de acontecer este agravamento do preço, uma vez que não havia
razões objetivas para tal. Segundo, tratava-se de uma prática isolada no
mercado, que nos parecia muito estranha, sobretudo numa altura em que a lei da
oferta e da procura já eleva naturalmente o valor das tarifas. Por isso, mais
30 euros em cima era algo que só dificultava a vida aos madeirenses e
porto-santenses", afirmou.
O governante recordou que o Executivo madeirense apresentou estes argumentos no diálogo mantido estes dias com a administração
da companhia aérea, que acabou por se mostrar sensível às preocupações
expressas. "Hoje tivemos a confirmação de que a TAP não irá aplicar esta
sobretaxa e que os preços voltam a estar nos valores anteriormente praticados.
Já confirmámos isso — o próprio site da TAP já não refere a aplicação dessa
taxa — o que significa que foi conseguido aquilo que pretendíamos, após uma
forte sensibilização", adiantou.
Eduardo Jesus fez ainda questão de agradecer
publicamente à administração da TAP, destacando a rapidez da resposta da
companhia aérea. "Estivemos em contactos muito intensos durante o
fim-de-semana, o dia de ontem e o de hoje, e foi possível, num curto espaço de
tempo, evitar esta cobrança adicional", concluiu o secretário regional.
Já durante o dia de ontem, o Governo Regional, através da Secretaria Regional de Turismo, Ambiente e Cultura, mostrava-se contra a aplicação injustificada das taxas que iriam encarecer, em 30 euros por percurso, os voos desde Lisboa e Porto para o Funchal, no período
de Natal e Ano Novo 2025-2026.
"Estes valores, completamente injustificados para uma deslocação dentro do território nacional, situam-se já acima do limite máximo do custo elegível ao abrigo do Subsídio Social de Mobilidade (SSM) aplicável a bilhetes de ida e volta ou one-way aos residentes na RAM e estudantes deslocados, sobrecarregando não apenas os cofres do Estado, por via do SSM, como, também, o orçamento dos próprios passageiros, que terão, assim, de suportar os montantes adicionais ao valor coberto pelo SSM", podia ler-se no comunicado do executivo.

