O Grupo Parlamentar
do Partido Socialista criticou, hoje, o corte de 60 milhões de euros nas verbas
para a Habitação no Orçamento Regional para 2026 e acusou o Governo Regional
de, após o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), não ter qualquer plano de
futuro para o sector.
Em conferência de
imprensa no bairro da Nogueira, na Camacha, que apresenta graves problemas
estruturais, de infiltrações e de degradação dos espaços públicos, Paulo
Cafôfo manifestou a sua preocupação com esta redução das verbas para o sector,
que contrasta com a realidade actual, marcada pelas cada vez maiores
dificuldades no acesso à habitação, pelos preços recordes do mercado de
habitação e pelas longas listas de espera por uma casa.
"Este corte de 60
milhões de euros nas verbas para a habitação não é só um corte num número, é um
corte na esperança de tanta gente que necessita de uma habitação digna",
afirmou o líder parlamentar do PS, lamentando que o Governo não tenha qualquer
visão de futuro para esta área, já que, “acabando as verbas do PRR (duplicadas
para a Madeira pelo Governo da República de António Costa), acabam as verbas
para a habitação". "Não há um plano, não há objectivos, não há metas, nem há
casas", lamentou.
Paulo Cafôfo criticou
também o facto de, para 2026, estarem apenas inscritos 500 mil euros para a
recuperação dos bairros, valor que considera manifestamente insuficiente. "Deveríamos começar o ano de 2026 com um investimento forte nesta área, porque
temos bairros com graves problemas de infiltrações, de degradação do espaço
público, deficiências estruturais e era preciso acudir de forma imediata à
recuperação desses bairros, e não termos só uma migalha de 500 mil euros",
afirmou.
O
presidente do PS-Madeira voltou a defender que o Governo Regional canalize a
totalidade das verbas que estão a ser recuperadas pelo Fisco, relativas às
ajudas ilegais que foram atribuídas a empresas da Zona Franca da Madeira, para
a construção de habitação e/ou remodelação dos bairros. Em causa estão, no
total, 839 milhões de euros, dos quais já foram recuperados 143 milhões de
euros que deveriam ser alocados a este sector.
