O Partido Socialista manifesta "estranheza" perante
as declarações hoje feitas por Miguel Albuquerque, segundo as quais o Parque
Empresarial dos Canhas estaria finalmente "desbloqueado".

O PS recorda que a solução para o Parque
Empresarial dos Canhas estava, de facto, desbloqueada há muito tempo, "desde que
o executivo municipal do PS apresentou à Madeira Parques Empresariais (MPE) uma
proposta clara e objectiva para a venda dos terrenos municipais pelo valor
previamente estabelecido pela própria MPE", afirma, reforçando que esta proposta, "fundamentada e
formalizada", aguardava apenas a aceitação por parte da empresa, "que, apesar das
insistências da Câmara Municipal, nunca apresentou resposta".

"Se existiu algum bloqueio ao avanço deste
processo, ele esteve sempre do lado da MPE, que recuou face à solução que
originalmente ela própria considerava adequada", sublinha o partido.

A afirmação de Miguel Albuquerque contrasta
também com a informação transmitida esta manhã, durante a reunião de vereação
da Câmara Municipal da Ponta do Sol, pelo presidente da autarquia, Rui Marques,
que deu conta da realização de uma reunião com a Madeira Parques Empresariais,
onde foi manifestada intenção mútua de encontrar uma solução, mas da qual não
resultou qualquer decisão concreta.
— PS

A vereadora Célia Pessegueiro, ex-presidente da
Câmara, expressou a sua surpresa perante esta narrativa que, além de "não
corresponder ao estado real do processo, omite o trabalho consistente que o
anterior executivo municipal desenvolveu ao longo dos últimos anos" para
permitir precisamente a resolução deste dossier.

"A Câmara
Municipal da Ponta do Sol sempre defendeu, desde o início das negociações, que
a solução mais viável e do interesse do Município passava pela venda de todos
os seus terrenos no Parque Empresarial, para que a Madeira Parques Empresariais
pudesse gerir e desenvolver o espaço de acordo com as suas competências", lê-se no comunicado.

"Para esse efeito, o anterior executivo procedeu à
regularização e actualização cadastral de todas as parcelas sob sua
titularidade, comunicou oficialmente à Madeira Parques Empresariais a listagem
completa de terrenos e respectivas áreas, e aceitou o valor proposto pela
própria MPE numa avaliação entregue a 6 de Setembro de 2019. Contudo, após este
avanço, a Madeira Parques recuou, levantando questões relativas a eventuais
permutas que nunca fizeram parte da posição do Município. Na última comunicação
enviada pela Câmara Municipal, datada de 29 de Agosto de 2025, foi inclusive
sugerida a realização de uma nova avaliação independente, que definisse de
forma clara e objetiva o valor por metro quadrado dos terrenos, reafirmando
sempre o interesse exclusivo na venda e não em qualquer tipo de troca ou
contrapartida", explica a concelhia do partido na Ponta do Sol.

Perante estes factos, o PS reafirma o seu
compromisso com a transparência, a verdade e a defesa dos interesses do
concelho da Ponta do Sol e alerta para a necessidade de garantir que o
património municipal seja devidamente valorizado e salvaguardado.

Célia Pessegueiro manifestou-se "profundamente
preocupada" com a possibilidade de o novo executivo vir a oferecer os terrenos
municipais sem qualquer contrapartida, o que seria lesivo para o interesse dos
ponta-solenses. Por isso, exige que o Governo Regional esclareça o que entende
por "desbloqueio", que decisões concretas foram tomadas, e que elementos
sustentam as afirmações hoje difundidas.