A Sociedade Portuguesa
para o Estudo das Aves (SPEA), através do projeto LIFE Natura@night, "volta a lançar um pedido de apoio à comunidade: está a recrutar
voluntários para salvar aves marinhas juvenis
— sobretudo cagarras — que,
ao abandonarem os ninhos entre 15 de Outubro e 15 de Novembro, se
desorientam devido à poluição luminosa e acabam por cair nas cidades,
correndo riscos de colisões, atropelamentos ou ataques de
predadores".

Numa nota de imprensa, a SPEA salienta que "as brigadas noturnas de patrulhamento decorrem entre 23 de Outubro e 5 de Novembro, nos concelhos da Madeira abrangidos pelo projeto, nomeadamente
Santana, Machico, Santa Cruz, Funchal e Câmara de Lobos" e que "estas datas
coincidem com o período mais crítico em que os juvenis de cagarra
realizam os seus primeiros voos em direção ao mar. Os voluntários são
chamados a participar nestas brigadas científicas de resgate, percorrendo
ruas durante a noite em busca de aves desorientadas ou feridas", apela.

Assim, "os voluntários que se juntarem à campanha terão acesso a formação
especializada em temas como aves marinhas e suas ameaças, metodologias de
censos e utilização de ferramentas como o QGIS. Serão igualmente cobertos
por seguro e receberão um certificado de participação. Para muitos, esta
é também uma oportunidade única de adquirir experiência prática na área
da conservação, participar em sessões de anilhagem, recolha de dados
biométricos e apoiar diretamente a monitorização científica de aves
marinhas, tendo sido chamativo além-fronteiras, trazendo cerca de 15
voluntários de fora da região, anualmente", realça.

A SPEA acrescenta que "iodos os anos, centenas de aves marinhas são salvas graças à mobilização
da comunidade. Na última avaliação realizada no âmbito do projeto,
verificou-se que 87% da população das ilhas apoia a diminuição da
iluminação pública entre a meia-noite e as seis da manhã, 92% reconhece
que a luz artificial prejudica aves marinhas como as cagarras e 94%
afirma que já salvou ou salvaria uma ave encandeada. Os municípios
parceiros têm vindo a realizar alterações na iluminação pública, em áreas
costeiras, para promover a proteção da biodiversidade noturna e a
eficiência energética, com poupanças de até 60%".

Além disso, reforça, "a participação nesta campanha não se limita apenas à presença física nas
patrulhas. Todos podem contribuir através de gestos simples, tais como
apagar ou reduzir a intensidade das luzes exteriores em casas, hotéis e
espaços públicos. A colaboração das autarquias é igualmente fundamental,
implementando medidas para minimizar o impacto da iluminação pública
durante esta época, como já acontece no município da Calheta".

A resposta da comunidade tem sido encorajadora, mas ainda assim precisamos de muitos mais braços. Cada gesto conta – desde a luz que apagamos à noite até à participação ativa nas brigadas. É assim que podemos garantir que cada cagarra juvenil chegue em segurança ao mar.
— Elisa Teixeira, assistente de gestão do projeto LIFE Natura@night

Papel crucial das cagarras nos ecossistemas oceânicos

Segundo a SPEA, "as aves marinhas pelágicas, como a cagarra, desempenham um papel crucial
nos ecossistemas oceânicos, funcionando como indicadores da saúde do mar
e participando ativamente no ciclo de nutrientes. A sua biologia
torna-as, no entanto, particularmente vulneráveis: reproduzem-se apenas
uma vez por ano, em ninhos escavados em ilhas oceânicas, onde cada casal
cria um único juvenil. Qualquer fator que aumente a mortalidade — como a
poluição luminosa, a predação por espécies introduzidas, a ingestão de
plásticos ou a captura acidental em artes de pesca — tem, por isso,
impactos sérios a longo prazo nas populações. Percorrendo milhares de
quilómetros em mar aberto, a cagarra depende de oceanos saudáveis e de
colónias seguras para garantir a sua sobrevivência, e a sua conservação
representa também um investimento na preservação da biodiversidade
marinha e do equilíbrio dos ecossistemas globais", explica.

É desta forma que a SPEA apela "a todos os cidadãos, e instituições públicas e privadas, que
se envolvam nesta missão de proteção das aves marinhas, seja através da
inscrição como voluntários no site oficial www.naturaatnight.spea.pt, da
divulgação da campanha junto da comunidade ou da adoção de boas práticas
na iluminação exterior. Caso encontre uma ave em perigo, deve contactar a
Rede SOS Vida Selvagem, gerida pelo Instituto das Florestas e Conservação
da Natureza".

E conclui que "o projeto LIFE Natura@night é cofinanciado pelo programa LIFE da União
Europeia, coordenado pela SPEA, e tem como parceiros a Câmara Municipal
de Câmara de Lobos, a Câmara Municipal do Funchal, a Câmara Municipal de
Santa Cruz, a Câmara Municipal de Machico, a Câmara Municipal de Santana,
a Câmara Municipal de Santa Cruz da Graciosa, a Direção Regional de
Políticas Marítimas, o Instituto das Florestas e Conservação da Natureza,
o Instituto de Astrofísica de Canárias, o Instituto Tecnológico de
Canárias, a ALARED, a Fluxo de Luz e a Sociedade Espanhola de
Ornitologia".