A EAPN Portugal / Rede Europeia Anti-Pobreza "defende que a erradicação da pobreza e da exclusão social na sociedade exige um combate persistente, articulado com a defesa dos direitos humanos e com a promoção do desenvolvimento integral do ser humano". Numa nota de imprensa nas vésperas das decisões em 308 municípios portugueses, a EAPN justifica que "no atual contexto de grande incerteza nacional e
internacional – marcado por crises políticas, conflitos armados e instabilidade
económica global – as Eleições Autárquicas de 2025 em Portugal assumem um papel
absolutamente vital".

A luta contra a pobreza não é apenas uma responsabilidade do Estado central. É nas freguesias, nos bairros, nas escolas e nos centros de saúde que se constroem soluções reais.
— Maria José Vicente, Coordenadora da EAPN Portugal

Nesta perspectiva, "o combate à pobreza e à exclusão social
deve ser encarado como um desafio coletivo e de cidadania, que requer intervenções
territorializadas, promotoras da coesão social e territorial", advoga a EAPN. "É precisamente no domínio local e social que se encontram os
maiores desafios, mas também as oportunidades para criar alternativas que
assegurem a equidade, a justiça e uma relação equilibrada entre o local e o
global, defende a organização. O território assume-se, assim, como uma variável
decisiva para o desenvolvimento económico e social", acrescenta.

E recorda que "a nível nacional, mais de 1,7 milhões de pessoas
vivem com menos de 632€ por mês, e 1 em cada 5 portugueses
enfrentam pobreza ou exclusão social. As diferenças regionais são
significativas, não apenas quanto à gravidade do fenómeno, mas também na
capacidade de resposta dos territórios".

No seu apelo, a EAPN Portugal defende ainda que "os desafios
atuais que precisam de ser enfrentados são muitos e têm impacto no agravamento
das situações de pobreza e exclusão social", nomeadamente:

  • "As
    significativas desigualdades territoriais que colocam o país a diferentes
    velocidades e acentuam as diferenças entre as zonas rurais e as zonas urbanas;
  • O
    desafio da falta de Habitação e de acesso à Habitação por parte dos cidadãos
    mais vulneráveis e que acentuam situações de sem-abrigo;
  • O
    agravamento do custo de vida que tem efeitos no acentuar da pobreza energética
    e da insegurança alimentar;
  • O
    insuficiente acesso aos serviços essenciais, nos quais incluímos também a
    cultura e o lazer;
  • Uma
    deficiente rede de transportes públicos que tem impacto também no acesso ao
    mercado de trabalho;
  • A
    desertificação;
  • A
    inclusão de novos grupos, como os migrantes;
  • O
    acentuar do racismo e de discurso de ódio".

Assim, a EAPN Portugal apresenta "várias propostas de ação
para o Poder Local, essenciais nos programas eleitorais e na melhoria
concreta das condições de vida das pessoas", sobre os seguintes temas:

  • "Compromisso
    com a Erradicação da Pobreza.
  • Valorização
    da articulação intermunicipal.
  • Reforço
    dos recursos e eficácia na sua implementação.
  • Promover
    a Governação Participativa.
  • Valorizar
    o Trabalho em Rede e a gestão pró-ativa do território.
  • Valorizar
    o trabalho das Instituições Particulares de Solidariedade Social.
  • Responder
    de forma eficaz aos desafios sociais prementes e transversais".
Contudo, o combate à pobreza não pode estar limitado a ciclos políticos de quatro anos. Trata-se de um desafio estrutural que exige visão de futuro, compromisso continuado e estratégias articuladas de médio e longo prazo. Só com planeamento consistente, participação ativa das comunidades e articulação entre os diferentes níveis de governação será possível promover transformações duradouras e garantir maior justiça social e coesão territorial
— Maria José Vicente