O movimento islamita
palestiniano Hamas afirmou hoje aceitar alguns elementos do plano de paz do
Presidente norte-americano, incluindo a libertação dos restantes reféns,
mas quer negociar outros.
Em comunicado, o Hamas
afirmou estar disposto a libertar reféns de acordo com a "fórmula" do
plano, que prevê a libertação dos restantes indivíduos capturados pelo
movimento no ataque a Israel há dois anos, e reiterou a sua já expressa abertura
à transferência do poder para um órgão palestiniano politicamente independente.
O movimento acrescentou
estar pronto para negociações imediatas para discutir os "detalhes"
da libertação dos reféns, vivos e cadáveres.
Ressalvou, contudo, que
aspetos da proposta referentes ao futuro da Faixa de Gaza e aos direitos
palestinianos devem ser decididos com base numa posição palestiniana comum,
firmada com outras fações e fundamentada no direito internacional.
Estes aspetos "serão
discutidos através de um enquadramento nacional palestiniano abrangente
no qual o Hamas participará e para o qual contribuirá de forma
responsável", refere a nota.
A declaração também não
menciona o desarmamento do Hamas, exigência israelita fundamental incluída
na proposta do Presidente norte-americano, Donald Trump.
A posição do Hamas é
assumida "para alcançar a cessação da guerra e a total retirada da
Faixa" pelas forças israelitas e já foi transmitida aos mediadores,
refere o movimento.
O anúncio foi feito poucas
horas depois de Trump fazer um ultimato ao Hamas até às 23:00 de domingo,
hora de Lisboa, para aceitar o seu plano de paz para Gaza.
Na mensagem, Trump avisa
que, se o acordo "de última hora" não for alcançado, "o caos
instalar-se-á contra o Hamas como nunca antes", acrescentando que a maioria
dos combatentes do movimento se encontra "cercada e militarmente
encurralada", e poderão ser "rapidamente exterminados".
O Presidente apela também
"a todos os palestinianos inocentes" para que abandonem
"imediatamente esta área potencialmente mortal" rumo a zonas mais
seguras, sem especificar a que áreas se referia.
O plano de Trump,
divulgado na semana passada, propõe um cessar-fogo, a libertação dos reféns em
72 horas e o desarmamento do Hamas, acompanhado de um esquema de reconstrução
de Gaza com apoio internacional.
Washington tem promovido a
criação de uma "zona humanitária" em Al-Mawasi, na costa de Gaza,
como destino sugerido para civis deslocados, sendo essa uma das alternativas
evocadas nas redes e por responsáveis norte-americanos.
A ameaça norte-americana
ocorre num contexto de forte escalada na Faixa de Gaza: Israel lançou uma
ofensiva de larga escala em meados de setembro, com as operações concentradas
na Cidade de Gaza, considerada por Telavive o último bastião do Hamas.
Israel declarou a 07 de
outubro de 2023 uma guerra na Faixa de Gaza para "erradicar" o Hamas,
horas depois de este ter realizado em território israelita um ataque de
proporções sem precedentes, matando cerca de 1.200 pessoas, na maioria civis.
Desde 2007 no poder em
Gaza e classificado como organização terrorista pelos Estados Unidos, a União
Europeia e Israel, o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) fez também nesse
dia 251 reféns, cerca de 40 dos quais continuam em cativeiro.
A guerra na Faixa de
Gaza fez dezenas de milhares de mortos, de acordo com números das autoridades
locais, que a ONU considera fidedignos, e um desastre humanitário que tem
forçado cerca de dois milhões de residentes a deslocarem-se repetidamente
dentro do enclave.
