As formigas cortadeiras, pequenos animais capazes de transportar
até oito vezes o seu peso corporal, têm 'ângulos mortos' quando transportam
carga, tal como os camionistas, de acordo com um estudo.

A investigação foi realizada pela cientista do Instituto
Smithsonian de Investigação Tropical (STRI), no Panamá, Sabrina Amador, e a sua
estagiária, Katherine Porras, na qual registaram formigas com e sem folhas para
observar como usavam as suas antenas, as partes do corpo que estes animais usam
para tocar, cheirar e saborear.

Como as formigas seguem rastos 'sentindo' os químicos que as outras
formigas deixam para trás com as suas antenas, as investigadores
ofereceram-lhes folhas artificiais, que recolheram.

Enquanto caminhavam, cortavam-nas cuidadosamente ao meio para
reduzir a carga. Observaram o uso das suas antenas antes e depois de o fazerem.

Descobriram que as formigas que transportavam folhas tocavam o
solo menos vezes com as suas antenas por passo do que as formigas sem folhas.

Além disso, as formigas aumentaram o número de toques nas antenas
quando os cientistas reduziram a carga para metade.

De acordo com as suas observações, transportar uma grande carga
limita a capacidade das formigas tocarem no solo com as suas antenas,
dificultando a perceção do percurso.

"Carregar cargas maiores pode dificultar a passagem por
obstáculos no trilho ou superfícies irregulares. Curiosamente, este efeito é
mais forte em formigas maiores, como se fossem camiões maiores", explicou
o Smithsonian em comunicado citado na terça-feira pela agência Efe.

"O que descobrimos pode explicar porque é que, apesar de
terem força para mover cargas maiores, algumas formigas optam por transportar
cargas mais pequenas", explicou Amador.

Algumas formigas cortadeiras podem transportar até oito vezes o
seu peso corporal e, ao transportarem uma carga grande, caminham mais lentamente,
abrandando as suas companheiras, tal como os camiões grandes fazem numa
autoestrada.

Este fenómeno, conhecido como "efeito camionista", pode
reduzir a velocidade das formigas que as seguem até 50%.

A razão por detrás deste fenómeno, que era um mistério, pode ser
explicada pelos "pontos cegos" que estes animais apresentam ao
deslocarem-se pelo trilho.

"As formigas cortadeiras são hábeis a resolver problemas de
logística e transporte, e agora compreendemos mais sobre a sua capacidade de
suporte. À medida que os humanos enfrentam problemas semelhantes, podemos
aprender lições valiosas com as suas estratégias de eficiência",
acrescentou Amador.

As formigas cortadeiras enriquecem o solo e dispersam as sementes,
desempenhando um papel vital nas florestas tropicais das Américas.

Surpreendentemente, podem recolher entre 1 a 2 toneladas de
material vegetal por ano.

Estudar o seu comportamento ajuda a compreender como navegam pela
floresta, regressam ao ninho ou ultrapassam obstáculos enquanto transportam material
vegetal, mas também oferece dados sobre como este comportamento pode
influenciar a taxa de recolha de material vegetal e os seus efeitos mais amplos
na ciclagem de nutrientes e na dinâmica florestal.

Os movimentos e a eficiência das formigas também inspiraram a
construção de diferentes tipos de robôs, e o seu estudo merece uma maior
atenção no futuro, destacou o Smithsonian.