Foi de "coração cheio" que Cristina Pedra presidiu ao seu último acto público enquanto presidente da autarquia, o lançamento do 'Livro de Honra da Câmara Municipal do Funchal: Personalidades Ilustres Recebidas nos Paços do Concelho (1984-2011).
“Hoje, este lançamento do Livro de Honra da Câmara
Municipal do Funchal foi a recuperação do património intangível, da cultura e das
memórias, que representam a vinda de governantes, embaixadores, comandantes de
navios de guerra, artistas – portanto, uma proliferação de dedicações de
carinho – à nossa nobre cidade e a quem as representou em cada momento, mas
também à hospitalidade com que os madeirenses sempre receberam quem nos
visitou. Por isso mesmo, quisemos acabar com o lançamento deste livro”, sublinhou a governante, a propósito da edição deste estudo inédito.
A obra é da autoria de Duarte Mendonça, técnico superior da Biblioteca Municipal do Funchal, e fala sobre o primeiro Livro de Honra da Câmara Municipal do Funchal, que reúne mais de 500 registos de individualidades ilustres que passaram pela cidade e pelo emblemático Edifício dos Paços do Concelho, entre os quais o rei Juan Carlos I e a rainha Sofia, de Espanha.
"O Livro de Honra foi instituído na Câmara Municipal do Funchal pelo presidente João Sá Fernandes, em 1984, e nele constam registos entre esse ano e 2018 [englobando as presidências de João Sá Fernandes, João Dantas, Virgílio Pereira e Miguel Albuquerque]. Trata-se de um livro de grande formato, o livro oficial da Câmara Municipal do Funchal, onde as individualidades estrangeiras e nacionais que visitavam a Madeira e eram recebidas na Câmara eram convidadas a deixar uma pequena mensagem no Livro de Honra. Há muitas surpresas entre os registos. Por exemplo, raramente os madeirenses assinavam o Livro de Honra, mas houve pelo menos dois casos — um deles foi o de Cristiano Ronaldo, que, quando foi homenageado na Câmara, deixou também o seu registo", destaca o autor.
A cerimónia realizou-se no Salão Nobre do Edifício dos Paços do Concelho e foi antecedida por um evento privado de despedida, do qual sobressaiu a presença do ex-presidente da Câmara Municipal do Funchal (CMF), Pedro Calado, que renunciou ao cargo em Janeiro de 2024, depois de ter sido detido no âmbito de uma investigação a suspeitas de corrupção na Madeira.
Questionada pelos jornalistas sobre a presença do seu antecessor neste momento simbólico, Cristina Pedra admitiu ter sido a própria a convidar Calado, num gesto espontâneo de agradecimento.
"Eu convidei o Pedro Calado. Fi-lo por modo próprio,
sem os meus colegas de executivo, sem os directores de departamento, sem os
adjuntos, sem ninguém saber que o Pedro Calado vinha. Aliás, convidei-o meia
hora antes, porque achei que este projecto que eu tive de continuar – e tive mesmo,
pelas razões que todos conhecemos, porque nunca desejei liderar – é coincidente
com o do Pedro Calado", justificou a presidente cessante.
A autarca vincou que liderou "de uma forma muito homogénea e muito
parecida à do Pedro Calado", classificando o seu mandato como um "prolongamento sem qualquer tumulto e
muito harmonioso".
"O doutor Pedro Calado foi o responsável de todos nós
estarmos aqui, com os votos dos eleitores, com a democracia a funcionar. A
verdade é que ele não poderia deixar de estar [presente] – se aceitasse – e aceitou" e "deu também umas palavras de agradecimento e reconhecimento", reforçou Cristina Pedra.
O balanço humano do seu percurso à frente dos destinos da autarquia "é 20 na escala de 0 a 20" e fica marcado pelo "carinho" e "profissionalismo" que reitera ter recebido e faz questão de retribuir ao seu executivo.
A cerimónia de tomada de posse dos novos órgãos autárquicos do Funchal realiza-se na próxima segunda-feira, 27 de Outubro, às 15 horas. O ato marcará o início de funções de Jorge Carvalho, eleito presidente da Câmara Municipal a 12 de Outubro, e de José Luís Nunes, que reassume a presidência da Assembleia Municipal do Funchal. A sessão solene deverá contar com a presença do presidente do Governo Regional, bem como dos novos autarcas das freguesias, representantes das várias forças políticas e de diversas entidades regionais, simbolizando o arranque de um novo ciclo político no Funchal.

