Uma equipa de cientistas descobriu compostos orgânicos que
aumentam a probabilidade da existência de condições propícias à vida na lua
Encélado de Saturno, noticiou a Associated Press (AP).

"Ser habitável e ser habitado são duas coisas muito
diferentes. Acreditamos que Encélado é habitável, mas não sabemos se a vida
existe realmente", disse o cientista e especialista em ciências
planetárias e espaciais, Fabian Klenner, da Universidade de Washington, nos
Estados Unidos (EUA), que participou no estudo.

Uma equipa internacional decidiu lançar uma nova análise de grãos
de gelo encontrados, em 2008, quando a sonda espacial Cassini (nave espacial
robótica) voava pelos géiseres (nascentes termais) da lua Encélado.

Os grãos eram jovens em comparação com as partículas de géiser
muito mais antigas, segundo a investigação.

Os novos grãos colidiram com o analisador de poeira cósmica da
Cassini a 64.800 quilómetros por hora (40.000 milhas por hora), mais
rapidamente do que os antigos.

"Estamos confiantes de que estas moléculas têm origem no
oceano subterrâneo de Encélado, aumentando o seu potencial de
habitabilidade", disse o principal autor do estudo, Nozair Khawaja, da
Universidade Livre de Berlim, na Alemanha, num e-mail.

O aumento da velocidade proporcionou uma visão mais clara dos
compostos químicos presentes, indicaram os cientistas.

Nos antigos grãos de géiser já tinham sido detetadas moléculas
orgânicas, mas a sua idade levantou questões sobre se teriam sido alterados ao
longo dos anos pela radiação espacial.

A lua Encélado, uma das 274 luas que orbitam Saturno, ou seja, que
se movem em torno do planeta, é suspeita de possuir fontes hidrotermais no seu
fundo oceânico, possivelmente semelhantes às do Ártico, segundo a AP.

Os oceanos subterrâneos em luas "são talvez os melhores
candidatos para o surgimento de vida extraterrestre no nosso sistema
solar", disse o professor de física da Universidade de Kent, no Reino
Unido, Nigel Mason, que não esteve envolvido na investigação.

Há muito tempo que a Encélado é uma das principais candidatas na
busca de vida fora da Terra devido ao seu oceano escondido e às colunas de água
que nascem das fendas perto do seu polo sul.

As descobertas baseiam-se em observações feitas pela Cassini das
agência espaciais norte-americana NASA, europeia ESA e italiana ASI, enviada
para estudar Saturno, concluindo a missão em 2017.