O aquecimento global derreteu um quarto do volume dos glaciares suíços na última década, segundo um estudo publicado hoje pela Glamos, agência helvética especializada, que alerta para a aceleração do fenómeno, perto do recorde de 2022.

A pouca queda de neve no inverno passado e as ondas de calor do verão, em junho e agosto, provocaram uma perda de 3% do volume de gelo de acordo com as medições feitas em cerca de vinte glaciares, extrapolando-se os dados para as cerca de 1.400 formações geológicas do género daquele país alpino.

"Desde há cerca de 20 anos, os glaciares suíços estão a perder gelo e o ritmo (...) está a acelerar. (...) Onde estivemos, o glaciar perdeu 100 metros ou até mais. É impressionante!", lamentou o diretor da Glamos, Matthias Huss, em declarações à agência noticiosa francesa AFP, referindo-se à região do Ródano.

Segundo os especialistas, os glaciares suíços perderam 24% do seu volume desde 2015, face a perdas de 17% entre 2010 e 2020, de 14% entre 2000 e 2010 e de 10% entre 1990 e 2000.

Junto à cidade de Gletsch, a reportagem da AFP relatou o espanto de um turista argentino, Wincho Ponte, de 29 anos: "não sabíamos que havia aqui um glaciar. Vimos a cascata lá de baixo e, então, subimos para ver. É realmente muito triste que esteja a derreter tão rapidamente".

Na Suíça, o aquecimento global faz-se sentir duas vezes mais drasticamente do que em relação à média mundial, já que há cerca de 50 picos montanhosos com mais de quatro mil metros de altitude, segundo o diretor do serviço mundial de monitorização dos glaciares (WGMS, na sigla inglesa), Michael Zemp.

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Ainda segundo Huss, caso as emissões de dióxido de carbono (CO2) se mantenham nos níveis atuais, quase todos os glaciares helvéticos -- mais de metade do sistema montanhoso dos Alpes -- vão derreter até ao final do século.

"Isto destabiliza as montanhas e pode provocar deslizamentos e avalanchas como aconteceu na vila em Blaten em maio", avisou Huss.