O PAN
Madeira diz que tem estado no terreno, percorrendo as serras da Região, não só para
plantar as árvores que prometeu, mas também para acompanhar o seu
desenvolvimento e fiscalizar o trabalho realizado pelo Instituto das Florestas
e Conservação da Natureza (IFCN). No entanto, de acordo com Válter Ramos, vice porta-voz do PAN Madeira, aquilo que o partido tem constatado "é um
preocupante desleixo na gestão florestal, com decisões que contrariam os
princípios da conservação da natureza e da proteção da biodiversidade".

Revela que "um dos casos
mais alarmantes ocorre sobre o aterro de terras da barragem do Pico da Urze,
uma zona sensível integrada na Rede Natura 2000". Neste local, conforme refere, "o IFCN optou por
plantar espécies nativas, o que, à partida, pareceria uma medida acertada".
Contudo, acrescenta, "é inconcebível que a mesma entidade, que investe milhares de euros na
remoção e fiscalização de espécies invasoras, tenha permitido a colocação, de
propósito e em vaso, de dois grandes Agaves com Crassulas, ambas incluídas na
lista nacional de plantas invasoras". Esta contradição revela, no seu entender, "uma falta de
planeamento e de conhecimento técnico que não pode continuar a comprometer os
ecossistemas da Região".

Além disso, conforme acrescenta, "a falta de manutenção na área é evidente". E prossegue: "A carqueja cresce descontroladamente
dentro das redes, abafando parte da plantação, o que demonstra um abandono
inadmissível de uma zona onde se deveriam concentrar esforços para a
recuperação ecológica. Não basta plantar árvores, é necessário garantir que o
seu crescimento é acompanhado e que as condições para a sua sobrevivência são
asseguradas".

Neste
sentido, diz que "o PAN Madeira considera urgente a implementação de um Plano Regional
de Combate a Infestantes, com critérios que impeçam a a propagação de espécies
invasoras, exigindo um planeamento sério e uma fiscalização eficiente e que
inclua a identificação e mapeamento atualizado das áreas afectadas".

Além disso, conforme salienta, é proposta a criação de uma Brigada de Reflorestação das Serras da Madeira, que
promovam a remoção contínua das espécies invasoras e que igualmente procedam à
plantação de espécies nativas, assegurando o seu acompanhamento e a manutenção
das áreas reflorestadas. Só assim, no seu entender, "se garantirá uma recuperação efectiva das
nossas florestas, protegendo o património natural da Região".

O que temos
testemunhado no terreno demonstra uma falta de planeamento e uma gestão
irresponsável dos nossos ecossistemas. Não podemos continuar a assistir à
propagação de espécies invasoras por parte das próprias entidades que deveriam
zelar pela sua erradicação. É fundamental garantir um compromisso sério e
coerente com a preservação da nossa biodiversidade".
— Válter Ramos

O PAN
Madeira garante que "continuará a acompanhar de perto a realidade das nossas serras,
exigindo soluções concretas e coerentes para a protecção dos ecossistemas
florestais da Região".