O líder socialista desvalorizou hoje as críticas feitas a
propósito da posição que assumiu sobre a imigração e defendeu que um partido
humanista se deve preocupar com a forma como Portugal recebe quem chega para
trabalhar.

Em declarações aos jornalistas em Tondela, onde hoje participou na
apresentação do candidato socialista à Câmara, Pedro Nuno Santos disse que
"as críticas fazem parte da vida política" e têm de ser encaradas
"com normalidade".

"Um partido humanista como o meu tem que ter preocupação pela
forma como o país recebe quem vem trabalhar para Portugal. É fundamental que
nós tenhamos a capacidade de receber, de acolher e ter um Estado social capaz
de responder a essa procura adicional", considerou o secretário-geral do
PS.

No seu entender, se o país não for capaz de garantir essas
condições, está "a prestar um mau serviço do ponto de vista do
humanismo".

"Nós não estamos a corresponder à necessidade de cuidar, de
integrar e, portanto, é fundamental que nós tenhamos políticas de integração,
que o país tenha condições para receber e isso é determinante para uma boa
integração e o respeito dos trabalhadores estrangeiros", sublinhou.

A antiga ministra socialista Ana Catarina Mendes, que no último
Governo do PS tinha no seu ministério a pasta das migrações, deixou críticas à
entrevista do líder socialista ao Expresso, na qual admitiu que não se fez tudo
bem nos últimos anos quanto à imigração e anunciou que vai apresentar uma
solução legislativa que permita regularizar imigrantes que estão a trabalhar
mas recusando recuperar a manifestação de interesse.

Também o antigo ministro da Administração Interna José Luís
Carneiro considerou hoje um erro dizer que a manifestação de interesse provoca
um efeito de chamada de imigrantes, como afirmou o líder do PS, alegando que
este é o resultado do crescimento da economia.

"Estamos a falar de pessoas que tiveram responsabilidades
governativas, que fizeram o melhor que estava ao seu alcance para acolher e dar
resposta à procura por parte de empresas e de trabalhadores estrangeiros
trabalharem em Portugal. Fizeram o melhor que era possível e acreditam no
instrumento manifestação de interesse, um instrumento no qual eu não
acredito", afirmou Pedro Nuno Santos.

O secretário-geral do PS referiu que, quem o conhece e fala
consigo sobre imigração, há muito tempo sabe que é um crítico desse instrumento
"e, portanto, desse ponto de vista, não há nenhuma mudança".

"Eu discordo dessas críticas e são visões diferentes. É por
isso que nós vamos apresentar uma alternativa à extinção da manifestação de
interesse, não só porque não queremos recuperar esse instrumento, mas também
porque a solução do Governo, que é um vazio legal, também é uma má solução,
porque empurra para a ilegalidade muitos trabalhadores estrangeiros",
frisou.

Na sua opinião, "não é uma boa solução a do Governo",
nem se deve regressar ao mecanismo anterior, pelo que se deve "adotar uma
alternativa" que será apresentada na próxima semana.

Pedro Nuno Santos referiu que Portugal recebeu "um número
muito elevado de imigrantes e o Estado social não estava preparado", e
isso deve ser reconhecido.

"A única forma de nós recuperarmos a confiança dos
portugueses é os portugueses perceberem que nós somos capazes não só de
reconhecer o que fizemos bem, de defender o que fizemos bem, mas também de
reconhecer aquilo que não correu tão bem", considerou.

Para o líder socialista, "não pode ser apenas o mercado a
regular os fluxos migratórios, tem que ser a política a regular os fluxos
migratórios e o país tem que se preparar para poder receber bem".