A agência da ONU para os refugiados palestinianos (UNRWA) deve
encerrar as suas operações em Jerusalém e deixar todos os edifícios que utiliza
até 30 de janeiro, de acordo com uma carta do embaixador israelita na ONU ao
secretário-geral.

A carta enviada por Danny Danon a António Guterres refere a
votação de outubro do Parlamento israelita sobre uma lei que proíbe as
atividades da agência em Israel após 90 dias, incluindo em Jerusalém Oriental,
uma parte da cidade sagrada anexada por Israel, onde a UNRWA tem escolas e
centros de saúde, entre outros departamentos.

Israel acusa a agência de ser infiltrada por membros do movimento
islamista palestiniano Hamas e diz que alguns dos seus funcionários
participaram nos ataques de 07 de outubro de 2023.

Estes "desenvolvimentos são uma resposta direta aos sérios
riscos de segurança colocados pela infiltração da UNRWA pelo Hamas e outras
organizações terroristas e pela recusa da agência em abordar as preocupações
sérias e materiais levantadas por Israel e remediar a situação", sublinhou
Danny Danon, na missiva.

O embaixador israelita na ONU acredita que a UNRWA
"comprometeu irreparavelmente a sua obrigação fundamental de
imparcialidade e neutralidade".

A carta não menciona uma segunda lei aprovada em outubro pelo
Parlamento israelita que proíbe as autoridades israelitas de trabalhar com a
UNRWA e os seus funcionários a partir da mesma data, gerando receios quanto ao
futuro das atividades da agência em Gaza e na Cisjordânia.

O responsável da UNRWA, Philippe Lazzarini, garantiu recentemente
que, quando a lei entrar em vigor, "a intenção da agência é permanecer e
fazer o seu trabalho" nos territórios palestinianos.

Israel acredita que as atividades da UNRWA devem ser assumidas por
outras agências da ONU. Mas as Nações Unidas repetem que são
"insubstituíveis", sobretudo na sua missão de prestar serviços
básicos aos palestinianos, como assistência médica e educação.

A UNRWA divulgou hoje que 272 dos seus trabalhadores foram mortos
durante os 15 meses de guerra na Faixa de Gaza.

Numa atualização sobre a situação em Gaza, a UNRWA lamentou que as
condições humanitárias continuem a ser "catastróficas", apesar do
cessar-fogo entre Israel e o grupo terrorista Hamas, que entrou em vigor no
domingo, 19 de janeiro.

Gaza, segundo a agência, é "o local mais perigoso para os
trabalhadores humanitários"

De acordo com os dados do Ministério da Saúde palestiniano
recolhidos pela organização, pelo menos 47 161 pessoas foram mortas e 111.166
ficaram feridas desde 07 de outubro de 2023. Dos mortos, 13.319 eram crianças e
786 tinham menos de um ano de idade.

A organização afirmou que o cessar-fogo é "apenas um ponto de
partida" para responder às necessidades dos habitantes de Gaza, que estão
"devastados" após mais de 15 meses de "violência, deslocação e
cerco".

Apesar de "todos os obstáculos" existentes, foi comunicado
que centenas de camiões da UNRWA com ajuda humanitária entraram em Gaza desde o
início do cessar-fogo e que o equivalente a cerca de 7.000 camiões estão
prontos para serem entregues, enquanto outros 1.521 estão em vias de ser
adquiridos.

A UNRWA alertou para o facto de pelo menos 1,9 milhões de pessoas
(cerca de 90% da população) terem sido deslocadas durante a guerra, muitas
delas mais de dez vezes.