O Alto-Comissariado da Organização das Nações Unidas para os
Direitos do Homem apelou hoje à Tailândia para que não expulse uma cinquentena
de uigures, detidos em centros para migrantes indocumentados, para um país onde
podem ser "maltratados".
Grupos de defesa dos direitos humanos denunciaram que Banguecoque
se preparara para enviar para a China 48 uigures, que estão detidos há 10 ano
em centros destinados aos migrantes indocumentados na Tailândia.
Segundo estas organizações, estes membros da comunidade muçulmana
dos uigures fugiram da China há 10 anos e vivem no medo constante de serem
repatriados.
Pequim é acusado de violações dos direitos humanos na região do
Xinjiang, na qual os uigures são a maioria da população.
Os dirigentes tailandeses desmentiram que houve qualquer
"ordem de expulsão".
Este Alto-Comissariado da ONU "segue de muito perto este
assunto", disse à AFP a sua porta-voz, Ravina Shamdasani.
Esta semana, peritos independentes da ONU apelaram às autoridades
tailandesas para que "acabem imediatamente" com os preparativos de
uma eventual expulsão, avisando que os uigures estavam confrontados com
"um risco real de tortura ou outro tratamento desumano ou degradante"
na China.
Mais disseram que estes 48 uigures estão detidos desde há mais de
10 anos, sem comunicação com o exterior nem acesso a advogados ou familiares.
Os peritos, que são nomeados pelo Conselho dos Direitos do Homem
da ONU, mas que não se exprimem em seu nome, solicitaram à Tailândia que lhes
permitisse aceder aos procedimentos de pedidos de asilo e à assistência
humanitária.
"Somos da opinião que estas pessoas não devem ser enviadas
para a China. Receamos que venham a sofrer maus-tratos irreparáveis",
acrescentaram
A organização Human Rights Watch (HRW) indicou na semana passada
que os serviços de imigração tinham ordenado aos uigures que preenchessem novos
documentos e que os tinham fotografado, medidas interpretadas como preparativos
para uma transferência forçada.
Um relatório publicado em 2022 pela ONU enumerou violações dos
direitos humanos, incluindo a tortura e o trabalho forçado, bem como
internamentos arbitrários a uma vasta escala no que a china designava por
"centros de formação profissional".
Pequim rejeita as acusações, alegando que está a lutar contra a
radicalização islamita.