O Presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, comparou a
sua condenação criminal sem pena, anunciada hoje em Nova Iorque, a uma derrota
de uma alegada "caça às bruxas" contra si pelo Partido Democrata.

"Os democratas radicais perderam mais uma patética caça às
bruxas norte-americana, depois de terem gasto dezenas de milhões de dólares e
de decorrerem seis anos de trabalho obsessivo", escreveu o Presidente
eleito na rede social Truth Social, após a decisão do juiz Juan Merchan ter
sido anunciada.

O republicano, que entrará na Casa Branca dentro de dez dias como
o primeiro Presidente norte-americano a ser condenado num processo criminal,
acrescentou ainda que "o verdadeiro júri, o povo norte-americano,
falou" nas últimas eleições presidenciais, dando-lhe "um mandato
esmagador".

A sentença do juiz Merchan, pronunciada hoje numa audiência em
Nova Iorque, condena Trump, mas com uma "dispensa incondicional" que
não acarreta pena de prisão ou de multa nem liberdade condicional, uma decisão
que mereceu o acordo dos procuradores.

Em abril de 2024, Trump tinha sido condenado num total de 34
acusações, quando ainda nem era candidato confirmado à Casa Branca.

O juiz responsabilizou o líder republicano de falsificação de
documentos, para ocultar um pagamento de 130 mil dólares (126 mil euros, ao
câmbio atual) à atriz de filmes pornográficos Stormy Daniels, para que esta não
falasse de uma suposta relação extramatrimonial entre os dois ocorrida uma
década antes.

A condenação significa que Trump passará a ter antecedentes
criminais no seu registo, o que afetará alguns dos seus direitos.

O Presidente eleito não poderá possuir armas de fogo, uma vez que
a posse de armas por indivíduos que tenham cometido crimes é proibida pela lei
federal, e terá de fornecer uma amostra de DNA para ser registada na base de
dados criminal do estado de Nova Iorque.

Ainda assim, Trump poderá votar nas eleições, uma vez que está
registado como eleitor no estado da Florida, onde só não poderia votar caso
tivesse perdido o direito de voto no estado onde foi condenado.

Em Nova Iorque, onde Trump foi julgado, um condenado não pode
exercer o seu direito de voto durante o período em que está a cumprir pena de
prisão, mas este é-lhe restituído após a sua libertação.