São as primeiras palavras do presidente de Câmara Municipal da Calheta depois de ter sido detido na operação Ab Initio. Esta manhã, antes de entrar na edilidade, confessava sem hesitações: “Estou aqui, sem medo porque tenho a consciência tranquila”.

Prosseguindo: “Se analisarem todos os aqueles documentos facilmente chegarão à conclusão de que não deveria estar acolá”, declarou antes de entrar nos Paços do Concelho e onde todos os funcionários aplaudiam de forma efusiva o edil a sua chegada.

Uma entrevista cheia de sentimento, com lágrimas, com pausas porque a emoção chegou a tomar conta das palavras, e que poderá ser lida com mais pormenor amanhã na edição impressa.

O autarca está envolvido no processo judicial relacionado com suspeitas de criminalidade económica e financeira e foram presentes no Tribunal do Funchal para serem submetidos a primeiro interrogatório judicial.

Em causa estão suspeitas da prática dos crimes de participação económica em negócio, recebimento ou oferta indevidos de vantagem, prevaricação e financiamento proibido de partidos políticos.

Passou três noites no estabelecimento prisional da Cancela mas diz que sentiu apoio de muitos e agradeceu a todos essas manifestações de carinho que foi sentindo: “Quero agradecer a todos. À minha família. Aos agentes da PJ, aos guardas prisionais, as autoridades, aos funcionários, o respeito que tiveram para comigo, mas agradecer acima de tudo aos calhetenses porque senti o apoio deles. O meu compromisso é com eles. Se me deixarem”.

Esta manhã o autarca social-democrata chegou a conduzir o carro da edilidade que habitualmente usa. Chegou faltavam 6 minutos para as 9 horas. À espera de Carlos Teles, presidente da Câmara Municipal da Calheta, estavam um grupo de amigos e colegas do gabinete.