O navio de carga 'MV Kathrin', um dos que compõem a 'frota' do Registo Internacional de Navios da Madeira e a navegar com bandeira portuguesa, é suspeito de transportar armas para Israel. Nos últimos dias têm sido várias as notícias a dão conta que o navio está bloqueado nas águas da Namíbia, a sul de África, proveniente do Vietnam, com oito contentores com equipamento militar para o exército israelita.

Depois de na semana passada o Bloco de Esquerda ter levantado o assunto, lançando "uma petição para que a bandeira portuguesa seja retirada do navio que transporta explosivos para a Eslovénia e Montenegro e para que a carga seja devolvida à origem", o ministro dos Negócios Estrangeiros "esclareceu no dia seguinte que o navio, que transporta explosivos, tem pavilhão português mas é alemão e 'não vai para Israel'", o tema chega agora à ONU.

No sábado, uma especialista em direitos humanos das Nações Unidas lançou o alerta para este navio que transporta, sob pavilhão português, toneladas de explosivos
para Israel, "reiterando os apelos a um embargo imediato de armas contra a
entidade ocupante para evitar mais genocídio na sitiada Faixa de Gaza", frisa a relatora especial da ONU para os Territórios Palestinianos
Ocupados, Francesca Albanese.

A publicação foi feita na rede social X, com Albanese a alertar que, com base na informação recebida, "o navio 'Kathrin', com bandeira
portuguesa, deverá entregar 8 contentores de explosivos a Israel". E explica: "Estes explosivos são alegadamente componentes-chave nas
bombas e mísseis aéreos que Israel está a utilizar contra a Gaza sitiada e na
sua campanha genocida contra os palestinianos. Dado que a Namíbia negou
legitimamente o acesso ao porto ao 'Kathrin', defendendo a lei internacional, a
minha esperança é que Angola siga o exemplo da Namíbia e não consinta em
abrigar o navio. Isto poderia ser uma violação grave da Convenção do
Genocídio."

Num artigo no portal iraniano 'Press TV', o cargueiro 'MV Kathrin', que "navega sob a
bandeira da Madeira, está actualmente ancorado ao largo da costa da Namíbia,
uma vez que o país do sudoeste de África se recusou a permitir-lhe a entrada nos seus portos. A Madeira, uma região autónoma de Portugal, é um arquipélago
composto por quatro ilhas ao largo da costa noroeste de África", acrescenta a notícia.

Francesca Albanese, citada no artigo, refere que está "extremamente preocupada com o potencial
patrocínio do navio por parte de Portugal e por facilitar a entrega do
Kathrin". Isto pode ser uma violação da Convenção do Genocídio.
Lembrete crítico: Qualquer transferência militar para Israel, que a CIJ
determinou que pode estar plausivelmente cometendo genocídio, equivale a uma
violação da Convenção sobre Genocídio e da resolução 55/L.30 do CDH que
determina um embargo de armas a Israel"., concluiu a emissária da ONU.

Construído em 2010, o navio é pertença da companhia alemã Concord Shipping.