Um grupo de 32 ex-chefes de Estado lembrou hoje os governos do
Brasil, México e Colômbia que o prazo para as autoridades eleitorais da
Venezuela apresentarem as atas das últimas eleições presidenciais expirou.

Os ex-presidentes, que fazem parte da Iniciativa Democrática de
Espanha e das Américas (IDEA), acrescentaram que cabe agora a estes governos
"assumir uma posição clara e definitiva face à tirania [do Presidente da
Venezuela]", Nicolás Maduro, cuja reeleição é contestada pela oposição,
que reivindica a vitória.

Os antigos governantes salientaram que, embora se registe este
atraso, a "onda de repressão e sequestros de membros das forças
democráticas, bem como as violações generalizadas e sistemáticas dos direitos
humanos contra o povo da Venezuela, continuam no país latino-americano".

Ao mesmo tempo, saudaram as declarações dos ministros dos Negócios
Estrangeiros do Brasil, México e Colômbia sobre o dever do Conselho Nacional
Eleitoral (CNE) da Venezuela de mostrar de forma transparente os resultados das
eleições presidenciais de 28 de julho.

Destacaram que os ministros dos Negócios Estrangeiros destes
países afirmaram que "o mandato de tornar transparentes os registos
eleitorais é um dever que cabe ao poder eleitoral e deve ser verificado em
instância imparcial" e não pelo Supremo Tribunal de Justiça da Venezuela.

Nicolás Maduro, que o CNE declarou vencedor com 51% dos votos
sobre o seu adversário Edmundo González Urrutia, encarregou na semana passada a
mais alta instância judicial venezuelana de rever o processo eleitoral.

Os ex-presidentes destacaram ainda uma antevisão das conclusões do
Carter Center, centro global de defesa dos direitos humanos, democracia e saúde
pública, que enviou uma missão técnica para observar o processo e apontou não
existirem provas cibercrime no sistema eleitoral, como informaram as
autoridades eleitorais venezuelanas.

Pelo contrário, este centro "analisou os números disponíveis
em conjunto com outras organizações e universidades" e confirmou Edmundo
González Urrutia como o vencedor, destacaram os ex-governantes, lembrando que
um relatório da Organização dos Estados Americanos (OEA) já chegou à mesma
conclusão.

A declaração é assinada, entre outros, pelos ex-presidentes da
Costa Rica Óscar Arias, Carlos Alvarado, Rafael Ángel Calderón, Laura
Chinchilla, José María Figueres, Miguel Ángel Rodríguez e Luis Guillermo Solís,
José María Aznar e Mariano Rajoy, de Espanha, Vicente Fox e Felipe Calderón, do
México, Iván Duque, Andrés Pastrana e Álvaro Uribe, da Colômbia e Mauricio
Macri da Argentina.

A Venezuela, país que conta com uma expressiva comunidade de
portugueses e de lusodescendentes, realizou eleições presidenciais a 28 de
julho, após as quais o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) atribuiu a vitória a
Maduro com pouco mais de 51% dos votos, enquanto a oposição afirma que o seu
candidato, o antigo diplomata Edmundo González Urrutia, obteve quase 70% dos
votos.

A oposição venezuelana e diversos países da comunidade
internacional denunciaram uma fraude eleitoral e exigiram que sejam
apresentadas as atas de votação para uma verificação independente, o que o CNE
diz ser inviável devido a um "ciberataque" de que alegadamente foi
alvo.

Os resultados eleitorais têm sido contestados nas ruas, com
manifestações reprimidas pelas forças de segurança, com o registo de cerca de
duas mil detenções e de mais de duas dezenas de vítimas mortais.