O Presidente francês, Emmanuel Macron, e seu homólogo brasileiro,
Luiz Inácio Lula da Silva, disseram hoje que apoiam "a aspiração do povo
venezuelano por uma eleição transparente", após a reeleição amplamente
contestada do Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro.
"Apoiamos com Lula [da Silva] a aspiração do povo venezuelano
a uma eleição transparente. Esta exigência está no cerne de qualquer
democracia", escreveu Emmanuel Macron na rede social X (antigo Twitter),
após uma conversa telefónica com o Presidente brasileiro.
Os Governos do Brasil e da França apelaram às autoridades
venezuelanas para que publiquem todas as atas das assembleias de voto do
processo eleitoral alegadamente vencido por Maduro, realizado no passado
dia 28 de julho, documentos que não foram divulgados, tendo a oposição liderada
por María Corina Machado afirmado que o vencedor foi o seu
candidato, Edmundo González Urrutia, e não Maduro.
O Governo brasileiro divulgou uma nota sobre o telefonema entre
Lula da Silva e o Presidente francês informando que "Macron elogiou a
posição de Brasil, Colômbia e México emitida em nota conjunta na última
quinta-feira, e a posição do país de estímulo ao diálogo entre o Governo e a
oposição venezuelana".
"O Presidente Lula [da Silva] reiterou o seu compromisso com
a busca de uma solução pacífica entre as partes e que respeite a soberania do
povo venezuelano", lê-se no comunicado.
Hoje, trinta ex-Presidentes de países da América Latina e da
Espanha divulgaram uma carta aberta a Lula da Silva, na qual pediram que
mantenha o compromisso com a democracia e a liberdade na Venezuela.
O Brasil tem tentado manter o diálogo com o Governo de
Maduro, um antigo aliado regional da esquerda liderada por Lula da Silva, após
as eleições presidenciais, e ainda não reconheceu oficialmente o resultado da
eleição na Venezuela.
A diplomacia do Brasil afirmou, em nota oficial, que espera a
divulgação das atas das mesas de votação para se pronunciar sobre o resultado
das eleições presidenciais na Venezuela.
Por outro lado, o país procura manter relações com o regime
de Maduro, e atua para mediar conflitos diplomáticos na região.
Na sequência da expulsão dos diplomatas da Argentina e do Perú, a
diplomacia do Brasil passou a representar os cidadãos desses países que estão
na Venezuela.
O Brasil também se tornou responsável pela custódia das
embaixadas da Argentina e do Perú, em Caracas, bem como dos seus bens e
arquivos.
