A
Casa-Museu Frederico de Freitas inaugura,
amanhã, 28 de Agosto, pelas 16h30, a exposição 'Roberto Cunha, A Paixão Pelo
Detalhe', que irá contar com a presença do secretário regional de Economia, Turismo e Cultura, Eduardo Jesus.
A
exposição temporária ficará patente até
ao dia 9 de Novembro, podendo ser visitada, com entrada gratuita, de terça a
sábado, das 10h00 às 17h30.
Esta
mostra reúne mais de 100 peças que se encontravam dispersas pelos seus
familiares, por coleccionadores privados e em museus regionais, conseguindo
apresentar ao público um conjunto inédito da sua obra invulgar e praticamente
desconhecida da grande maioria dos madeirenses.
Refira-se ainda que Frederico
de Freitas foi um dos grandes admiradores de Roberto Cunha, reunindo um núcleo
de peças da sua autoria. Em 2006, todo o equipamento da sua singular oficina
foi doado à Casa-Museu Frederico de Freitas e foi esse gesto generoso que levou
à concretização da exposição amanhã inaugurada.
Mais sobre Roberto Cunha:
Caricaturista
e ceramista de invulgar talento, Roberto Luís Paiva e Cunha nasceu na Calheta a
22 de Setembro de 1901. Começou a trabalhar aos 14 anos como desenhador numa
casa de bordados e aos 20 anos ingressou na Western Telegraph Company,
vulgo 'Casa da Linha', a empresa britânica do cabo submarino. Nos 40 anos
seguintes, aí decorreu a sua carreira profissional, primeiro como telegrafista
e depois como mecânico. Começou a revelar o seu talento de caricaturista,
retratando a maioria dos seus colegas.
Em
1929, foi convidado a integrar o grupo de jovens irreverentes fundadores do Re-nhau-nhau,
o periódico trimensal humorista que, com enorme sucesso e espírito crítico,
abordou a sociedade e a política madeirense, até à década de 70. Foi o autor do
icónico cabeçalho e a sua colaboração foi especialmente activa, no período
inicial, como o Mestre que fez escola e sob cuja alçada muitos outros
caricaturista se formaram.
Autodidata,
Roberto Cunha começou a trabalhar o barro no final dos anos 20, associado à
Olaria Funchalense. Possuía um dom inato para modelar o barro e a tal se
dedicou com empenho, revelando através dessa matéria um esmero e uma qualidade
artística únicos. Notabilizou-se pelas suas figuras em miniatura, policromadas
ou não, cuja incrível perfeição e rigor do detalhe o distinguem como caso único
na Região e entre os melhores artistas congéneres nacionais.
Na
sua produção contam-se dois singulares e belíssimos presépios, mas foram os
tipos e costumes regionais que mais cativaram. Floristas, bordadeiras,
pesquitos, camponeses (vilões) em diferentes lides quotidianas, borracheiros,
leiteiros, pastores, carreiros do Monte, carros de bois, carregadores de rede e
até banhistas do Lido surgem retratados em barro, perpetuados num natural
instante do seu quotidiano, que assim fixou costumes hoje esquecidos.

