"Estou
muito preocupado e apreensivo com a situação da comunidade madeirense na África
do Sul, que tem sido atingida por muita violência, que tem crescido nos últimos
tempos e que tem provocado um pânico, um pânico com razão de ser, pela onda de
assaltos e de raptos que ali tem acontecido". As palavras são de Paulo Cafôfo, presidente do PS-Madeira e ex-secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, sobre a onda de sequestros e mortes que tem atingido os emigrantes madeirenses na África do Sul. Um assunto que faz manchete este sábado, na edição impressa do DIÁRIO.
Neste sentido, Cafôfo deixa "uma primeira palavra de solidariedade para estas pessoas que sei que
gostam muito daquele país, gostam muito da África do Sul, mas que sentem na
pele esta violência e esta instabilidade que afecta as suas vidas e obrigam-nos
a repensar mesmo a sua presença naquele país africano".
Revela que já contactou alguns destes compatriotas, mas também Fernando
Costa Pereira, o embaixador de Portugal em Pretória, para poder obter mais
informações.
A
realidade é que a África do Sul atravessa um momento difícil, para termos uma
ideia, segundo informações do próprio embaixador, no ano passado, na província
de Goteng foram vítimas de raptos 7.800 pessoas e obviamente esta violência,
estes raptos e estes assaltos atingem a comunidade portuguesa que tem
maioritariamente negócios de comércio. E aquilo que tem sido feito, segundo um
relator, o embaixador, é o contacto permanente com as autoridades locais,
porque a realidade é que a comunidade portuguesa não é o alvo desta violência,
o alvo porque não há nada contra os portugueses que residem na África do Sul,
mas obviamente são claramente afectados.
Lembra que, quando se deslocou àquele país, na sua última visita, nas Comemorações
do Dia de Portugal, em que acompanhou o presidente da República, Marcelo Rebelo
Sousa, teve a oportunidade de se reunir com o presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, e confrontou o mesmo com esta situação que afecta a
comunidade portuguesa, apelando para que visse com os olhos do governo relativamente a uma comunidade que
reside, há várias gerações naquele país, que muito contribui para o seu
desenvolvimento e para a sua economia.
Nós
estamos a falar de comerciantes, de portugueses que também estão no negócio da
distribuição, que estão na agricultura também, e por isso é uma comunidade
pacata, uma comunidade responsável, trabalhadora, e que merece, obviamente,
todo o cuidado e toda a atenção por parte do governo sul-africano. Esperemos
que esta situação de violência possa acalmar, acima de tudo que os nossos
compatriotas possam ter a segurança e o bem-estar que querem, que desejam e que
merecem.

