Miguel Albuquerque pegou nas intervenções de quem o
precedeu, na Sessão Solene do Dia do Concelho do Porto Santo, esta
segunda-feira, para concluir que “o Município tem funcionado como uma
democracia deve funcionar”. Com isto queria dizer que “há uma linha que foi
sufragada, mas essa linha estratégica não contém verdades absolutas e há sempre
contributos activos e positivos das forças da oposição”.
Puxando para a realidade regional, onde esta tarde começa a
ronda negocial com os partidos com assento parlamentar para que se consiga aprovar o Programa de Governo, o líder do Executivo
considera que o que “toda a gente espera de uma democracia madura” é esta capacidade
de entendimento, e de discernimento dos ‘timings’.
Há um período eleitoral, onde se faz campanha. Depois,
uma vez que o povo emita o seu juízo através do voto, há resultados que correspondem
à vontade do povo. As forças políticas têm de entender a vontade da população
e ter a capacidade de perceber que têm, no quadro parlamentar, de apresentar as
suas propostas para os interesses colectivos. O pior de uma democracia é não perceber
os ‘timings’, e não perceber que os bloqueios prejudicam os interesses da
população que representamos, e que é uma ‘via verde’ para as forças demagógicas
mais radicais, que querem dar cabo das instituições democráticas.
Importa, então, “continuar o caminho de diálogo e aguardarmos
que prevaleça o bom senso”, até porque “o que menos interessa à população é
entrarmos num clima polarizado e radicalizado”.
Trabalho de cooperação no Porto Santo
“O caminho que temos encontrado para o trabalho no Porto Santo
é de cooperação, de juntarmos esforços para responder aos interesses da
população”, esclareceu Miguel Albuquerque. Destacou alguns dos compromissos cumpridos,
como o prolongamento do subsídio de mobilidade, que permitiu o combate à
sazonalidade; a construção da Unidade de Saúde Local e agregação de uma Unidade
de Cuidados Continuados; a construção das centrais de baterias.
Relativamente à habitação, lembrou que estão a ser construídos
30 fogos pela IHM, mas, sendo que 80 pessoas mostraram interesse nestas
habitações, deixou a garantia de serem estudados outros projectos para o
futuro.
Para o futuro também, afirma ser compromisso no Programa do Governo
a introdução do subsídio de insularidade para os trabalhadores da administração
pública no Porto Santo, para incentivar a fixação de profissionais na ilha,
sobretudo nas áreas da Saúde e também da Educação.
Em relação ao turismo, Miguel Albuquerque lembra a
importância de ser uma área tratada de “forma sustentável, para manter o
turismo dentro da escala que interessa à população”, vocacionada para a qualidade
e não para as massas. “Não podemos ter hotéis massificados de grande escala que
vêm pôr em causa o equilíbrio populacional”, atesta.
Por fim, em jeito de ironia, deixou um recado à República: “Dizer aos serviços
centrais do Estado para estou disponível para emprestar uma lata de tinta para
pintar a parede do Tribunal”.
