“Terra primeira das Descobertas, Machico é o início de uma
longa História Portuguesa de achamentos, povoamentos, cruzamento de
civilizações e encontro de povos, que a todos nos orgulha. A nossa Expansão não
está isenta de erros e defeitos, mas é com certeza uma das maiores obras que um
povo concebeu em prol da evolução da Humanidade. E Machico é esse começo, essa
aventura, esse início da primeira globalização”, começou por enaltecer José Manuel
Rodrigues na sessão solene comemorativa do dia do município de Machico.
O presidente da Assembleia Legislativa da Madeira evocou os
50 anos do 25 de Abril de 1974 para assinalar as conquistas da democracia e
autonomia, mas sublinhou que “hoje, passado meio século, tudo parece adquirido,
mas não é verdade”.
“A História demonstra-nos que não há inevitabilidades e que
muitas vezes a tragédia repete-se e que, por vezes, sem querer, quase sem
darmos por isso, retrocedemos e voltamos a cair no pior dos autoritarismos e
dos totalitarismos. A Guerra na Ucrânia, no coração da Europa, está,
infelizmente, aí, todos os dias, para nos recordar dessa realidade”, realçou o
presidente do parlamento regional, apontando que vivemos num tempo de “regressão”
da democracia e de crescimento dos populismos e aos extremismos.
“Apesar
de atravessarmos um tempo em que temos mais perguntas do que respostas, convém
escalpelizar as razões que levam a que as Democracias estejam doentes e em
crise e perceber porque é que muitas delas sucumbem aos populismos e aos
extremismos. As consequências desta erosão democrática encontram as suas causas
no fosso entre eleitos e eleitores; na descredibilização dos resultados
eleitorais; na falta de transparência dos sistemas políticos; na má gestão dos
dinheiros públicos e na desilusão dos jovens com a política. O resultado é o
crescimento dos extremismos, corporizados em partidos populistas, ou a imersão
em movimentos inorgânicos que põem em causa a estabilidade dos regimes e a paz
social”, alertou.
Neste plano, José Manuel Rodrigues defendeu “ser crucial um
regresso ao institucionalismo, reforçando e dignificando as organizações
judiciais, executivas e legislativas, no pleno respeito da separação de
poderes, mas cooperando institucionalmente no robustecimento do Estado de
Direito”.
“A Democracia é um sistema imperfeito, mas há uma certeza
inquestionável: os países com melhores índices de desenvolvimento são regimes
pluralistas e com eleições livres”, enfatizou.
O presidente
da Assembleia Regional aproveitou ainda a ocasião para deixar um apelo ao voto
nas próximas eleições legislativas regionais e europeias.
“Faço
aqui um apelo ao exercício do direito de voto nas eleições regionais do próximo
dia 26 de Maio e nas eleições europeias de 9 de Junho; não deixem nas mãos de
outros a vossa voz, os vossos anseios, as vossas convicções e o vosso poder
sobre os poderes. Sejam senhoras e senhores da vossa vontade. Votem, votem em
liberdade e em consciência! Contribuam para que a Democracia não se esvaia pela
veia da descrença e da indiferença”, rematou.
