O deputado social-democrata na
Assembleia da República e também membro do ‘Debate da Semana’ na TSF, Pedro
Coelho, lembrou, na emissão televisiva do DIÁRIO, que este “é um cenário novo”
e entende que a Região pode viver, daqui em diante, um cenário como aquele que
acontece no continente, onde os sociais-democratas governam sem maioria
parlamentar.
“O PSD é o grande vencedor, ao fim
de mais de 40 anos as pessoas confiam no PSD para Governar na Madeira”,
acrescenta, deixando outra ideia: “O grande derrotado é o PS, enquanto o JPP
cresce e passa a ser um fenómeno regional e não apenas concelhio. Agora, mesmo
com o CDS e o PAN não dá os 24 deputados, mas pode passar por um cenário como
temos no continente, com um Governo minoritário”.

E já aponta ao cenário
pós-eleitoral na Madeira. “Agora é tentar fazer um Governo para governar nos
próximos quatro anos, mas quando tempos mais de 20 mil votos do primeiro para o
segundo partido mais votado, não há outra alternativa a não ser com o PSD a
governar. Agora é preciso governar de outra forma, ouvindo mais, cedendo em
alguns pontos, pois não queremos novas eleições daqui a seis meses”. De resto,
considera que, perante este cenário, Paulo Cafôfo “tem de entregar as chaves do
PS-Madeira”.
“Cafôfo deve pensar se está a fazer bem ou mal ao partido”
A antiga eurodeputada socialista,
Liliana Rodrigues, considera que a estratégia de comunicação de Paulo Cafôfo
“foi muito má” durante a campanha eleitoral, considerando, de resto, que esse
foi um mal quase transversal à maioria das forças partidárias, o que contribuiu
“para confundir as pessoas”. “Não consegue cumprir o objectivo mínimo, que era
eleger 18 ou 19 deputados, ainda por cima num cenário favorável”, acrescentou,
garantindo que Paulo Cafôfo “deve pensar se está a fazer bem ou mal ao partido”
e que o PS-Madeira “não pode acumular derrotas”.

“O JPP é o grande vencedor, mas
Miguel Albuquerque também merece os parabéns por ter vencido as eleições neste
contexto”, acrescenta Liliana Rodrigues. Por outro lado, considera que “o Chega
é um dos grandes derrotados, pois não cresce”.
“Fossadinha cada vez maior”
Nas Eleições Regionais de
Setembro do ano passado, perante as possibilidades da então coligação
pós-eleitoral, Pedro Nunes utilizou, na emissão televisiva do DIÁRIO, o termo
“fossadinha”. O dentista de profissão, e um dos comentadores do terceiro painel
do ‘Especial Eleições’2024’, referiu que “a fossadinha é cada vez maior”.

“Julgo
que não são resultados que nos deixem espantados”, acrescenta Pedro Nunes, traçando
cenários, mas com cautela: “Acabamos agora a contagem dos votos, agora é que
vai começar o jogo. Notei muita segurança de Miguel Albuquerque numa
perspectiva de formar Governo, mas mal seria se assim não fosse por parte do
partido mais votado, mas penso que ainda vai correr muita águia. Mas já vi
Miguel Albuquerque com muita humildade, a dizer que queria dialogar”.

