Um ataque informático a um sistema de saúde privado, chamado
Ascensão, através de todos os EUA, desviou ambulâncias dos seus serviços,
causou faltas de doentes às consultas e bloqueou acessos em linha aos seus
registos.
Um porta-voz do Ascensão disse que, na quarta-feira, tinha sido
detetada "uma atividade rara" na rede de computadores e que tanto o
seu sistema de registos eletrónicos como o sistema MyChart, que dá aos doentes
o acesso aos seus registos e lhes permite contactar com os seus médicos,
estavam sem funcionar.
Este sistema de saúde, sedeado em St. Louis e de inspiração
católica, tem 140 hospitais e cerca de 25 mil camas, em 19 Estados e no
Distrito de Columbia.
Na sua declaração, o porta-voz da Ascensão especificou que ambulâncias
foram desviadas de "vários" hospitais, sem os identificar.
No texto, este representante é citado a dizer: "Determinámos
que isto é incidente de segurança informática", acrescentando que "o
trabalho de investigação e restauração vai levar tempo, e não temos um fim
previsto".
Peritos em segurança informática têm apontado para um aumento
substancial de ataques informáticos para obtenção de resgates nos últimos anos,
em particular do setor dos cuidados de saúde.
De forma crescente, os
grupos destes criminosos roubam a informação antes de ativarem programas que
paralisam as redes informáticas. A ameaça de divulgar a informação roubada é
usada para extorquir pagamentos. A informação em causa também pode ser vendida.
No início deste ano, um ataque informático à Change Healthcare
causou a rutura de sistemas de cuidados de saúde à escala nacional, depois de
os piratas terem entrado em um servidor que não tinha um sistema de
autenticação multifatorial, uma forma básica de segurança.
A Change Healthcare, que pertence ao UnitedHealth Group Inc.,
fornece tecnologia usada pelos médicos e outros prestadores de cuidados de
saúde para apresentação e tratamento de milhões de seguros por ano.
O ataque adiou os reembolsos pelas seguradoras e intensificou a
pressão sobre os gabinetes médicos em todo o país.
O presidente executivo da UnitedHealth, Andrew Witty, disse no
Congresso dos EUA, no início do mês, que pagou um resgate de 22 milhões de
dólares em bitcoins, mas que ainda hoje os sistemas centrais da empresa não
totalmente funcionais.