Na próxima segunda-feira, dia 6, às
18 horas, será inaugurada a exposição 'Small Time Shot Away', da artista
multidisciplinar Sara Tristão, na Capela da Boa Viagem —
Núcleo Difusor de Arte e Cultura Contemporânea.
Esta exposição faz parte do segundo momento do
ciclo de exposições 'Naturacultura', com curadoria de Hélder Folgado, e
convida o visitante a reflectir sobre as práticas contemporâneas de modificação do
corpo, bem como sobre a memória e a espiritualidade.
A tatuagem, enquanto prática ancestral de
inscrição de sinais corpóreos carregados de significado individual,
intrinsecamente transformadores no plano espiritual e altamente expressivos no
plano social, leva Tristão a "cravar", tanto no signo como na carne,
figuras abstratas e tendencialmente orgânicas, que emergem de objectos comuns e
de experiências oníricas. Esta prática, aliada ao fascínio da artista em
reaproveitar objetos e devolver-lhes um novo significado, uma outra vida,
organiza um campo de atuação interdisciplinar e intermedial no qual a artista
surge como uma espécie de xamã, e os processos artísticos entendidos como
rituais de transformação e de activação espiritual.
Acerca desta dimensão
performativa no seu trabalho, David Patrício, no texto de folha de sala que
acompanha esta exposição, diz-nos que “a Capela da Boa Viagem é aqui utilizada
como médium com o propósito de evidenciar a essência espiritual da
prática da artista. Espiritualidade esta, associada a um sincretismo religioso
pagão e católico, característico das crenças populares da Madeira sobre o
oculto.
Sara Tristão nasceu na
Ilha da Madeira em 1992. Em 2010 concluiu a licenciatura e mestrado em Pintura
na Faculdade de Belas Artes de Lisboa. A sua prática artística tem vindo a
explorar diversas disciplinas como a gravura, cerâmica ou vídeo, mas é a partir
da tatuagem 'handpoke' que tem explorado novas linguagens.
De entre as
exposições individuais destacam-se: 'Karmageddon', Prisma, Lisboa, 2020; 'A
Talking Mirror', Magma NTA, Ponta Delgada, 2022.
Salienta-se
também o trabalho apresentado em exposições colectiva tais como Indágora, Casa
da Madeira do Norte, Porto, 2017; Ilhéstico, PORTA33, Funchal, 2019; Triátlon,
Safra, Lisboa 2021; Estudo do Meio, Oficina 116, Cem Soldos, 2021
David
Patrício, natural de Lisboa, de profundas raízes algarvias, nascido em
2001, concluiu a licenciatura em Estudos Gerais na Faculdade de Letras da
Universidade de Lisboa em 2022, onde obteve um Major em Estudos
Clássicos e um Minor em Artes e Culturas Comparadas.
A
Capela da Boa Viagem — Núcleo Difusor de Arte e Cultura Contemporânea é um
equipamento cultural sob a alçada do Departamento de Cultura da Câmara
Municipal do Funchal. Integra a rede Portuguesa de Arte Contemporânea (RPAC),
desde 2023.
