Foi com casa cheia que Pedro Chagas Freitas pisou, hoje, o
palco da Semana da Cultura da Ribeira Brava para uma conversa informal com o
público. O escritor nacional começou por abordar a relação de proximidade que
tem com a Madeira, onde também costuma escrever.

O primeiro desafio lançado ao público foi para se
libertarem do medo do escrutínio. “O medo faz-nos avançar e não faz bem ser
refém da opinião alheia”, afirmou, pedindo uma plateia activa, com perguntas e
sem medo do julgamento de terceiros.

Com um milhão de seguidores, assume que quanto mais
visível está, mais facilmente é criticado com comentários negativos, pelo que a
opinião dos outros é subjetiva. “Não perco tempo com quem critica sem
fundamentos, com argumentos rasos baseados em coisas soltas”, sustenta.

Chagas Freitas confessa que no início de carreira
os primeiros comentários negativos fizeram-lhe confusão, no entanto “um caminho
linear é um tanto aborrecido, ao contrário de uma estrada irregular que torna o
percurso mais desafiante”.

Diariamente recebe mensagens de leitores que o
sentem como uma inspiração e que por sua causa começaram a escrever. Porém,
muita gente escreve hoje em dia com a intenção de vender muito, em vez de ser
fiel à sua intuição, dando o exemplo do seu êxito de vendas ‘Prometo Falhar’
que numa fase inicial foi antevisto pela editora como um “garantido fracasso
comercial”. Perante a descrença sobre o livro, decidiu lançá-lo e acabou por
ser um sucesso de vendas em poucos dias.

O sucesso não veio logo. ‘Prometo Falhar’ foi o seu
20.º livro e o primeiro êxito. Começou com a obra ‘Mata-me’ em 2005 que teve
apenas 50 unidades produzidas. Com trabalho árduo, foi conquistando fãs e hoje
tem mais de um milhão de seguidores, tendo sido um processo longo até cimentar
a sua carreira bem-sucedida.

Os títulos dos livros são sobretudo escolhidos pela
honestidade que transmitem sobre as histórias e para que haja alguma mística
sem revelar o enredo. Quando
escreve encontra-se consigo. Não sabe ao certo o propósito que o move, mas o
mais importante é o amor pelo que faz, por quem gosta e por quem o lê.