A equipa da 'Confiança' na Câmara Municipal do Funchal (CMF) veio, hoje, público marcar posição contra a proposta apresentada e aprovada, na reunião semanal do executivo, desta quinta-feira, que prevê a atribuição de uma verba na ordem de um milhão de euros à empresa municipal SocioHabitaFunchal.

O vereadores da oposição, que votou contra a dita proposta, argumentam que não existe "justificação plausível para este aumento
brutal de transferências".

“Estas
transferências que a Câmara faz anualmente para a empresa SocioHabita servem,
essencialmente, para suportar o desconto que é feito aos inquilinos com dificuldades
económicas, que pagam rendas sociais. Sabendo que esse valor, normalmente não
ultrapassa os 500 mil euros, para que é que pretendem transferir mais de um
milhão?”, pergunta o vereador Miguel Silva Gouveia.

“Enquanto isto não for
bem explicado, se necessário através de uma auditoria, não podemos votar
favoravelmente a esta exagerada injecção de dinheiro, porque não vamos passar
cheques em branco a este executivo PSD”, reitera o autarca da 'Confiança' citado em comunicado de imprensa.

Miguel Silva Gouveia recorda que "em 2021,
último ano de gestão da 'Confiança' no mandato anterior, a empresa municipal
necessitava apenas de 380 mil euros para o assegurar o seu equilíbrio
financeiro", remetendo para o último relatório e contas publicado no
site
" daquela entidade.

"Este ano, após três anos de gestão PSD, a transferência prevista encerra um
aumento acumulado superior a 260%, para um recorde de 1,01 milhões de euros,
tendo aumentado substancialmente as despesas com pessoal para cerca de 1,6
milhões em 2024, o que fez soar os alarmes sobre a qualidade da gestão desta
empresa", sustenta.

Por outro lado, realça que "a tutela desta empresa tem andado a
saltar de vereador em vereador, primeiro Bruno Pereira, depois Margarida
Pocinho, passando por Isabel Costa e, actualmente, na dependência de Helena
Leal". "A acrescer a esta liderança itinerante, está uma saída mal explicada da ex-administradora
Augusta Aguiar,
provavelmente reflexos de pressões políticas para tomar decisões de gestão
pouco transparentes, cujos resultados financeiros começam a se fazer sentir", insiste o vereador.

A 'Confiança' recorda ainda que, "desde 2021, esta empresa municipal gere o mesmo parque
habitacional, com os mesmos 1.300 inquilinos, e ainda que esta empresa não tem
despesas nem com a reabilitação, nem com a construção de nova habitação, uma
vez que essa responsabilidade está sob a alçada da Câmara Municipal" e, além disso, que "neste mandato a Câmara Municipal do Funchal ainda não construiu
nenhum dos complexos habitacionais previstos na Estratégia Local de Habitação,
firmada em 2020 com o IHRU".