No final do mês de Janeiro foi
publicado o relatório referente ao inquérito aos jovens de 18 anos no âmbito do
Dia da Defesa Nacional 2022, iniciativa anual do Serviço de Intervenção nos
Comportamentos Aditivos e nas Dependências (SICAD) que conta com a participação
da Direcção Regional da Saúde (DRS), através da UCAD. A esta iniciativa esteve
associada uma intervenção preventiva que incluiu 67 sessões de educação sobre
comportamentos aditivos, dirigidas aos 1 866 jovens participantes da Região
Autónoma da Madeira (RAM).
"Este estudo é realizado desde
2015, sendo os seus resultados muito relevantes para a monitorização do
fenómeno do consumo de substância psicoactivas na RAM e em todas as regiões do
país", refere o Gabinete
de Comunicação e Literacia para a Saúde através de uma nota de imprensa.
E acrescenta: "Ao nível do consumo de álcool, na
experimentação ao longo da vida, e no consumo do último ano, a RAM continua a
ser a região de Portugal com os valores mais baixos do País, bem abaixo da
média nacional e, inclusive, os mais baixos desde 2015. Estes resultados
permitem concluir que os jovens da Madeira de 18 anos estão a experimentar e a
consumir menos álcool no último ano".
No consumo recente (nos últimos
30 dias), verificamos que 59% dos jovens da Madeira consumiram pelo menos uma
bebida alcoólica, ao contrário da média nacional em que 67,9% consumiu a mesma
quantidade. Estes valores são mais baixos do que 2019, época pré-pandemia
(60,8% na Madeira e 68,1% no País)".
Destacam-se os resultados relativos à embriaguez severa no último ano e
ao longo da vida, que subiram na RAM. Apesar de continuarem abaixo da média
nacional e da RAM ser das regiões com melhores resultados, os valores subiram
cerca de 8 a 9% em relação ao ano transacto e cerca de 3% face a valores
pré-pandemia".
"Atenção adicional deverá recair
também sobre o consumo excessivo nos últimos 30 dias nos jovens da RAM, que
subiu de 4,9% para 12,2%. Apesar deste valor estar ainda abaixo da média
nacional (13%) e da RAM continuar a ser uma das regiões de Portugal com valores
mais baixos, é importante procurar perceber esta subida abrupta. Salienta-se
que, tendo a colheita destes dados sido feita em outubro (ao contrário dos anos
anteriores, em que ocorreu em maio), os consumos nos últimos 30 dias
reportam-se ao final do verão, podendo assim refletir a realidade neste período
específico, que merece especial reflexão e ação. Assinala-se no Verão o aumento
da oferta de álcool, através dos inúmeros eventos recreativos (arraiais,
festivais e outras festas temáticas), a preços muito acessíveis, complementados
com promoções", acrescenta.
É nesta base que a DRS, através
da UCAD, tem incrementado a sua ação preventiva e desenvolvido ao longo dos
últimos anos, em parceria com entidades públicas e privadas, ações, campanhas e
projetos preventivos ao nível do consumo do álcool (por exemplo, +Verão sem
Drogas, #Vibes4unodrugs, entre outros). Tendo por objetivo o reforço da
literacia em saúde, particularmente na área dos consumos de substâncias
psicoativas e dependências, estes projetos têm especial enfoque nas crianças e
nos jovens, no contexto escolar e contexto recreativo, pais e tutores, tecido
empresarial e a comunidade, no geral".
Este estudo vem destacar que
existem menos jovens de 18 anos a experimentar e a consumir álcool na Madeira,
mas entre os que já o faziam, este consumo tornou-se em 2022 mais intenso e
sobretudo mais frequente, o que pode ser explicado em parte, por ter sido o
primeiro ano após o levantamento das restrições referente à pandemia.
Naturalmente, os dados referentes a 2023 permitirão perceber se manterá esta
tendência".
"Atentos a esta problemática,
relembra-se que o consumo de álcool ou de outras substâncias psicoativas tem
impacto significativo no desenvolvimento e crescimento físico, intelectual e
afetivo dos jovens, e, no geral, pode afetar a coordenação motora, a capacidade
de atenção e a memória. Pode inclusive conduzir a comportamentos de risco e a
ter impactos vários, que ultrapassam o domínio físico, psicológico e a esfera
pessoal e estendem-se ao contexto familiar e social. A mensagem chave é que o
consumo de álcool é sempre prejudicial nos jovens e em todas as idades e, em
particular o padrão de consumo excessivo, justifica um combate constante,
aguerrido e agregador dos vários intervenientes e sectores da nossa sociedade", conclui.
