Foi esta tarde inaugurada, no Museu
Etnográfico da Madeira, na Ribeira Brava, a exposição temporária ‘Arribar –
Artes de Cura e Protecção’, uma mostra que nos remete para um saber e uma
tradição popular que se perdem no tempo e enriquecem o património cultural
imaterial madeirense, tendo a cura e o 'mau-olhado' como foco.

Foram repiscados rituais que, noutros
tempos, quando a medicina ainda não estava ao alcance da maioria da população,
eram a melhor forma de o povo procurar arribar (melhorar) das suas doenças e
ultrapassar as dificuldades do dia-a-dia. Nessas alturas, a curandeira era uma
figura de relevo na sociedade e um recurso para quem se encontrava doente.

Na ocasião, Eduardo Jesus fez questão
de salientar a importância da preservação destes saberes e rituais para a
preservação da essência da sociedade regional, falando mesmo do reforço do
"orgulho de ser madeirense".

Dirigindo-se aos presentes, o
secretário regional de Turismo e Cultura reforçou os agradecimentos à directora
do Museu Etnográfico, Lídia Goes Ferreira, e à equipa pelo trabalho que têm
desenvolvido aos longo dos anos, ressalvando que o Museu Etnográfico da Madeira
"tem uma presença muito especial nas nossas vidas", enquanto
"casa que guarda, acima de tudo, as nossas memórias".

Falando sobre o terceiro
documentário da série ‘Museus Vivos’, cuja realização e edição do vídeo é da
autoria de Rui Dantas Rodrigues, com locução de Sandra Cardoso, o governante
ressalvou o "activo" que é a experiência adquirida ao longo dos anos,
que deve ser valorizado, aludindo à participação de alguns elementos da
Universidade Sénior da Ribeira Brava na recolha feita, nomeadamente com
contributo activo para o documentário.

"Sem a vossa experiência, sem os
anos que viveram e que com essa vida aprenderam e acumularam esse saber, e nos
emprestam agora um pouco desse conhecimento, nós não teríamos oportunidade de
estar aqui hoje e não teríamos oportunidade de rever todas essas
práticas", reforçou Eduardo Jesus, rematando com a importância da abertura
do Museu Etnográfico à sociedade, aspecto que se vai materializando em
iniciativas como a que hoje teve lugar.

Já Lídia Goes Ferreira enfatizou o
aproveitamento feito dos recursos naturais por parte dos madeirenses, que
ganhou forma, no caso, nas artes de cura e protecção que a população engendrou
ao longo dos tempos.

Sobre a exposição, a directora
daquele Museu, deixou a nota de que a mesma se divide em duas partes,
subjugadas ao mesmo tempo. Numa secção podemos apreciar a utilização das
plantas, tanto ao natural, como depois de secas, usadas para se proteger das
doenças numa altura em que escasseavam os médicos; noutra vertente vamos
encontrar as formas encontradas pelo homem para de defender e proteger do que
não conhecia, numa fé que se traduzia em alguns objectos, como medalhas,
ferraduras, entre outros, actuando a vários nuvens, onde se inclui, também, a
cura do 'mau-olhado'.

O
trabalho de recolha foi realizado por César Ferreira.