O líder da claque Juventude Leonina,
Nuno Mendes (Mustafá), entregou-se hoje no Estabelecimento Prisional de Sintra
para cumprir a pena de seis anos e quatro meses a que foi condenado, em 2019,
num processo de assaltos a residências.
A informação foi avançada à agência Lusa por fonte judicial,
acrescentando que "o arguido se entregou voluntariamente" na cadeia
de Sintra, acompanhado pelo seu advogado Rocha Quintal.
Após o acórdão proferido pelo Tribunal de Cascais, em 06 de
dezembro de 2019, Mustafá e outros arguidos condenados foram apresentando
recursos, sempre rejeitados pelos tribunais superiores, e a decisão transitou
em julgado.
Desde Novembro de 2023 que havia um mandado de detenção em nome de
Nuno Mendes.
Neste processo, o Tribunal de Cascais condenou igualmente, a sete
anos e meio de prisão, o antigo inspetor da Polícia Judiciária Paulo Pereira
Cristóvão, que também se entregou voluntariamente no início do mês na cadeia de
Évora para cumprir a pena.
O julgamento contou com mais 14 arguidos (incluindo três agentes
da PSP), 12 dos quais condenados a penas efetivas entre os quatro anos e meio e
os 17 anos de prisão.
Um dos agentes, Elói Fachada, foi condenado a 16 anos de prisão,
outro, Luís Conceição, a 17 anos, e uma agente da PSP, Telma Freitas, foi
condenada a uma pena suspensa de três anos e cinco meses.
Pereira Cristóvão e Mustafá foram condenados pelo envolvimento e
preparação dos assaltos a uma residência no Atrium Cascais, em 27 de fevereiro
de 2014, e a uma outra na Avenida do Brasil, em Lisboa, em abril desse ano, do
qual acabaram por não levar dinheiro.
Quanto ao assalto à residência no Cascais Atrium, o coletivo de
juízes deu como provado, "praticamente na integra os factos" que
constam na acusação do Ministério Público, nomeadamente a participação
"efetiva" de Paulo Pereira Cristóvão. Ficou ainda provado que um dos
agentes PSP, que entrou na residência, ameaçou e apontou armas de serviço às
vítimas.
Para o Tribunal de Cascais ficou provado que os arguidos retiraram
145.000 euros de um cofre que o proprietário tinha em casa, apesar de os
arguidos, que receberam entre 7.500 e 10.000 euros cada um, terem dito em
julgamento que do assalto levaram 80.000 euros.
Quanto aos restantes 65.000 euros, a presidente do coletivo de
juízes afirmou, aquando da leitura do acórdão, "que se desconhecia o
paradeiro" desse valor.
O segundo assalto, em Abril de 2014, foi a uma residência em
Lisboa, que pertenceria a um alegado burlão do banco BPN que estaria em dívida
para com o arguido Celso Augusto e que guardaria dinheiro debaixo do soalho da
habitação, mas os assaltantes ligados a 'Mustafá' não encontraram qualquer
dinheiro.
