A Casa da Cultura de Santa Cruz - Quinta do Revoredo inaugura
sexta-feira às 18 horas uma exposição comemorativa dos 75 anos de existência do
Grupo de Folclore da Camacha, o mais antigo da Madeira. A exposição ‘Celebração’
apresenta fotografias de Georgina Abreu, mas não se limita a este suporte. A
curadoria e direção artística são de Elisa Freitas e Cristiana Sousa.

O espaço cultural e a Câmara Municipal de Santa Cruz que o
dirige pretendem assim prestar homenagem a este grupo tradicional que
consideram ser “uma marca na etnografia no concelho e na Região” com um
conjunto de fotografias e outros registos documentais. “É uma mostra com um
olhar contemporâneo sobre a tradição, o património etnográfico e a antropologia
cultural da Camacha”, apresenta a direcção do espaço.

“O desafio foi o de captar os trajes madeirenses em relação
com as paisagens da Ilha, ao longo do ano, através das atmosferas que as
diversas estações evocam. Tudo isto, sob um olhar contemporâneo, descontraído e
descolado dos formatos mais tradicionais”, revela Georgina Abreu, artista
visual e fotógrafa de moda.

Esta madeirense, licenciada em Fotografia de Moda pela
Falmouth University (Reino Unido), revela no texto da folha de sala que para a
concretização deste projecto recorreu ao papel e ao tecido. “O papel, através
da técnica da colagem, evoca o cartaz de rua, a voz do povo que se manifesta; o
tecido, por seu turno, na sua leveza e fluidez, torna presentes a elegância e a
beleza do traje e do movimento das danças tradicionais”.

A exposição está organizada em três núcleos que remetem para
a vida e para a vivência anual do Grupo de Folclore da Camacha. Revelam,
continua a apresentação, “progressivamente, diferentes ambientes, desde a Primavera,
como expressão máxima da celebração da vida, até ao Inverno, envolto no encanto
dos ritos de Natal, com a incontornável presença do religioso”.

A par dos trabalhos de Georgina Abreu, ‘Celebração’ reúne uma
selecção de imagens de arquivo que convidam “ao diálogo e à reflexão sobre o
passado, o presente e o futuro do folclore”.

Georgina Abreu tem 24 anos, assenta o seu trabalho artístico
tanto na fotografia como o vídeo, “na qual explora os formatos digital e
analógico, utilizando a moda, a poesia e a dança como algumas das suas
principais inspirações”, lê-se. A artista tem participado em exposições e
concursos internacionais, a par de manter o seu percurso profissional,
dividindo-se entre Amesterdão e Portugal na criação de conteúdo visual para
diversas marcas de moda e músicos, assim como para projetos pessoais, dá conta
a organização.

Sobre o Grupo de Folclore da Camacha, este organizou-se como
colectividade em 1948 então para representar a Madeira e Portugal no Concurso Internacional
de Danças de Madrid, em Espanha, de onde regressou com o 2.º lugar na
modalidade de Danças Mistas. Desde então, através das músicas, danças e trajes
trazem até aos nossos dias vivências do século XIX e inícios do século XX, que
evocam outras mais antigas, nomeadamente que remontam à época da colonização da
Ilha, no século XV, declaram na sua página na Internet.

Pelas fileiras do Grupo de Folclore da Camacha têm passado
muitos rapazes e raparigas, homens e mulheres que ajudam na missão a que se propôs
a formação, dirigida primeiro por Carlos Maria dos Santos “etnógrafo que
realizou inúmeras recolhas sobre as músicas, danças, trajes e costumes de todo
o Arquipélago da Madeira”, lê-se na apresentação do grupo. Por ali criam-se
laços e um sentimento de partilha.

A par das actuações e da organização da Gala de Folclore
Maria Ascensão, o Grupo de Folclore procura manter as tradições aliando-se a manifestações
de cultura tradicional e popular que ainda persistem na sua freguesia, como o
semear do trigo, o cantar dos Reis e os jogos tradicionais da Quaresmo, por
exemplo, bem como promovendo eles próprios algumas. São exemplos recriações históricas,
espetáculos etnográficos e conferências.

Concelho de Santa Cruz tem o maior número de grupos de
folclore da região, no total de nove, sendo seis da freguesia da Camacha.

‘Celebração’ fica patente ao público até 27 de Abril na
Quinta do Revoredo.