Os vereadores da Coligação Confiança, que faz oposição na Câmara Municipal do Funchal, "manifesta o seu
repúdio pela recente 'cerimónia pública' organizada pela presidente
em exercício, Cristina Pedra, para a entrega de kits do projeto europeu
SmartBear", começa por referir a nota enviada esta manhã. "Este projeto, que está no terreno desde 2021 e visa monitorizar a
saúde e melhorar a qualidade de vida dos idosos, foi transformado pela primeira
vez em palco de exploração política, numa atitude que consideramos
desrespeitosa e indigna", acusam.
Continuam, explicando que "os kits,
financiados pela União Europeia e elaborados em parceria com várias entidades,
foram entregues com ampla cobertura mediática, numa clara tentativa de
protagonismo à custa da vulnerabilidade das pessoas beneficiadas. Esta postura
contrasta com o princípio de discrição e respeito que deve pautar qualquer ação
de apoio social. O aproveitamento político de iniciativas europeias por parte
da autarquia é inaceitável e merece a reprovação de todos os que defendem uma
atuação ética e sensível na gestão pública", lamentam.
Pelas palavras da vereadora Micaela Camacho, porta-voz da Confiança para as questões sociais, afirma que "estas atitudes desesperadas demonstram claramente o incumprimento das
promessas eleitorais deste executivo, particularmente na área da saúde". E continua: "É
lamentável que, incapaz de apresentar resultados concretos, este executivo
recorra à exploração das necessidades alheias, usurpando projetos elaborados
por outras entidades. Trata-se de um escandaloso aproveitamento político sem o
mínimo respeito pela dignidade das pessoas, o que devia envergonhar qualquer
dirigente público."
A autarca da Confiança considera, pois, que "a exploração de
vulnerabilidades para promoção pessoal é inadmissível e diz muito sobre a falta
de sensibilidade social que temos assistido no Funchal", reforça a indignação. "Reforçamos
que o projeto SmartBear, implementado em cinco países europeus, incluindo a
Região Autónoma da Madeira, é fruto do esforço coletivo de instituições
dedicadas à inovação em saúde e bem-estar. A utilização do mesmo para fins
alheios à sua missão revela falta de ética e sensibilidade, prejudicando a
confiança da população nos projetos financiados pela União Europeia."
Termina a nota com uma exigência à actual gestão camarária. "A
Confiança exige que a Câmara Municipal do Funchal adopte boas práticas que
respeitem a privacidade e a dignidade dos cidadãos, promovendo iniciativas de
forma transparente e com foco exclusivo no benefício público", prometendo continuar "a
zelar pela ética na administração local e a denunciar qualquer desvio que
comprometa os princípios de boa governança".

